INTEGRAÇÃO SEM-EDS E ESPECTROSCOPIA RAMAN: PALEOMETRIA PARA DECIFRAR A FOSSILDIAGÊNESE DE SPINICAUDATA DO JURÁSSICO DA BACIA DO PARANÁ

Vol 1, 2025 - 328325
Oral
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Resumo

O registro fóssil abundante de Spinicaudata (crustáceos) em ambientes continentais desde o Devoniano apresenta um paradoxo, pois dois fatores desfavorecem sua preservação: a carapaça majoritariamente quitinosa, degradável em ambientes óxicos, e a baixa biomineralização que não garantem um amplo registro fossilífero. Para investigar esse enigma, analisamos dezenas de carapaças fósseis do Geossítio Linha São Luiz (Faxinal do Soturno-RS), em um pacote redbed flúvio-lacustre do Jurássico da bacia do Paraná, que exibem três distintas classes visuais de preservação: (I) translúcida iridescente, (II) branca opaca, e (III) preta metálica. Aplicamos uma abordagem paleométrica integrativa, combinando análise morfológica por Microscopia Eletrônica de Varredura (SEM) nos modos de Elétrons Secundários (SE) e Retroespalhados (BSE), mapeamento elementar via Espectrometria de Dispersão em Energia (EDS), e caracterização molecular por Espectroscopia Raman (RS) com variações de potência para melhor detecção. A classe I revelou textura superficial ondulada e composição heterogênea com Ca, P, Si, Al e Fe distribuídos de forma correlata, além de picos intensos de fosfato com cristalinidade intermediária. A classe II mostrou aglomerados poliédricos e dendríticos com maior intensidade no pico de fosfato (~960 cm⁻¹) e presença de hematita da matriz. A classe III apresentou textura grumosa, com Fe, Ca e P, forte pico de fosfato, sinais de goetita, conferindo brilho metálico. As diferentes potências (5%, 15% e 25%) aplicadas em RS permitiram identificar picos de matéria orgânica em pontos pretos isolados nas classes II e III, embora quitina original não tenha sido detectada. De maneira geral, as carapaças exibem organização laminar e concentrações de P e Ca no fóssil, contrastando com Si e Al na matriz. As classes de preservação podem estar relacionadas a quantidade e grau de cristalização da apatita biomineralizada (detectada pela comparação dos picos RS), sendo II com mais apatita cristalina, o que pode refletir a condições ambientais de maior concentração de PO₄³⁻  na água. Outro fator, é a indução bacteriana durante a degradação que pode estimular a deposição de goetita, similar aos processos identificados nas plantas ferrificadas por bactérias microaerofilícas no mesmo afloramento. Em suma, a preservação de Spinicaudata parece condicionada pela biomineralização da carapaça, pelos processos ambientais e eodiagenéticos. [Sepkoski Grant 2024; CNPq 161149/2023-5, 310970/2022-9; FAPERGS 21/2551-0002043-1].

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Instituições
  • 1 Departamento de Paleontologia e Estratigrafia, Instituto de Geociências, UFRGS, Porto Alegre/RS
  • 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos
  • 3 UFSCAR, Sorocaba
Eixo Temático
  • Fronteiras tafonômicas
Palavras-chave
Quitina
Apatita
Biomineralização
Conchostráceos
Diagênese