Mostra de Trabalhos Pedagógicos

Vol 2, 2019. - 109124
Mostra de Trabalhos Pedagógicos
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Resumo

CORPO, CULTRURA E EDUCAÇÃO: IMAGEM CORPORAL E ICONOGRAFRIA NO CONTEXTO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA E AFRICANA

Jeferson das neves
Professor de Educação Física

A educação se pauta na aquisição de conhecimentos e está envolvida tanto com o ensino-aprendizagem das normas e regras, que é a base para a organização de um grupo social, como os conhecimentos para viver dentro desse meio social, isto é, a formação humana e a capacitação.
As recentes concepções sobre a Educação Física Escolar apresenta o aluno como um ser provido de saber e que possui a capacidade crítica para situar-se no mundo, modificando-o e transformando-o. Assim identifica-se uma preocupação com o processo e a forma de produção cultural nas diferentes regiões e culturas. Não se negando o valor tanto dos conhecimentos das ciências biológicas como neurocomportamental. Assim Gallardo (2009) conclui que mais importante que realizar ações é a compreensão que o aluno tem sobre elas. Neste sentido o aluno deve aprender a viver socialmente, necessitando para isto internalizar os elementos da cultura corporal.
É importante entender que a educação física escolar oferece diferentes formas de organização, propiciando a produção de normas e regras para a realização das diversas atividades, assim entende-se que ela contribui para o estudo, o lazer, a comunicação, a cultura e a qualidade de vida. Também se faz necessário superar a visão em considerar que o corpo seja um mero objeto, preocupando-se basicamente com o rendimento e a produtividade financeira. Cabe à educação física escolar despertar nos alunos uma consciência corporal, permitindo com isso perceberem o mundo em que vivem, podendo dessa forma influenciar criticamente no processo de construção da sociedade brasileira.
Acreditando que a cultura é um patrimônio universal e que todo aluno possui direito a iste, é importante que o aluno esteja em contato com a cultura corporal, pois a através desta noção de cultura que se pode entender a humanidade em sua diversidade, além dos termos biológicos. Assim o presente projeto busca tratar nas aulas de educação física escolar de forma teórica, prática e reflexiva a influência da cultura africana na sociedade brasileira, abordando a importância, valorização e contribuição do negro na formação da sociedade social nacional. Buscando através da imagem corporal o encontro com este conteúdo de forma prática, entendendo a importância e influência social da cultura africana.
Mesmo tendo passado mais de 15 anos da aprovação da Lei nº 10.693, que institui a inserção nas unidades de ensino do pais, tanto privadas como públicas, do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana, muitas escolas não se adaptaram a estas mudanças e mesmo em escolas que há uma preocupação quanto a inserção curricular do tema, alguns docentes nem sequer preveem em seu plano curricular trabalhar com o tema em questão ou até mesmo refletir as problemáticas relacionas ao assunto.
Percebe-se que nas escolas em que há algum movimento relacionada a trabalhos, pesquisas e reflexão sobre o tema, estas ações estão ocorrendo por meio de iniciativas individuais de professores que se sensibilizam com a temática. Apesar de pequenas estas ações, ainda sim contribuem para que a cultura afro-brasileira e africana ganhem espaços nas instituições pedagógicas para reflexão sobre o papel do negro na história brasileira, a importância de sua cultura e sobre as questões que envolvem o as relações étnica-raciais.
A lei nº 10.693 de 09 de janeiro de 2003 trata da obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana tanto no ensino fundamental como no ensino médio em todo país, como é apresentada abaixo:
“...
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamentais e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira;
$1º. O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo, incluirá o estudo da história da África e do negro no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à história do Brasil.
$2º. Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira serão ministrada no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística, de literatura e história brasileira.
Art.79-A. VETADO
Art.79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como “dia nacional da consciência negra”.”

Diante do que foi descrito, a escola não pode e não deve se fechar as mudanças e transformações que ocorrem na sociedade, ficando alheia aos acontecimentos sociais. Ela deve se adaptar e criar condições para que seus docentes possam atuar de forma coerente, atualizada e positiva a estas mudanças. Pois uma inferência na escola repercute na sociedade e o mesmo ocorre contrariamente.
Este projeto foi desenvolvido com os alunos do 5º ano no segundo semestre de 2018 e alunos do 4º ano no primeiro semestre de 2019, na EMEF Janilde Flores Gaby do Vale, escola pertencente a rede municipal de ensino de Hortolândia. Que ocorreu através do conteúdo curricular proposto nas aulas de Educação Física “Jogos e Brincadeiras Africana”. Inicialmente foi trabalhado com os alunos de todos os anos este conteúdo curricular e posteriormente foi selecionado os anos em questão para um trabalho mais aprofundado relacionado com a cultura afro-brasileira e africana.
Foi proposto uma pesquisa aos alunos sobre: imagem corporal; e a cultura e iconografia africana. Os alunos efetuaram as pesquisas e socializaram com os demais, um grupos de alunos foi eleito para que dessem continuidade ao projeto. No espaço ocupado pela sala de recursos, em determinados dias e momentos foi montado um estúdio fotográfico e o professor juntamente com dois estagiários explicaram a estes alunos selecionados como ocorreria o desenvolvimento do trabalho e que na maioria dos encontros os próprios alunos iriam decidindo qual rumo deveriam seguir. Dessa forma foi passado a estes alunos conhecimentos sobra a imagem corporal e a utilização de maquinas fotográficas. Após pesquisas, os alunos tiveram que trazer imagens (digitais) relacionada a cultura africana, principalmente sobre iconografia.
Nas duas primeiras aulas os alunos efetuaram várias experimentações com as máquinas fotográficas e seus corpos. E utilizando um projetor de imagens em conjunto com um computador, efetuaram o registro fotográfico com imagens sobrepostas em seus corpos. Conforme foi ocorrendo as experimentações, mais aprofundamento sobre os temas foram efetuados pelo grupo de alunos eleito. Em um segundo momento foi explicado a todo o grupo de alunos o que estava ocorrendo e a proposta de trabalho. Assim foi encaminhado ao estúdio fotográfico grupos de alunos para que fosse realizado o registro fotográfico, utilizando a sobreposição de imagens, não só os alunos da classe participaram, mas também as professoras, o professor e estagiários de educação física, funcionários e equipe gestora da unidade escolar.
Foi constato pelos alunos fotógrafos que inicialmente em sua maioria as pessoas que serviram de modelo estavam inibidas e no decorrer da sessão de fotos essa inibição foi se desfazendo e dando lugar a uma total desinibição, que pode ser constato nas fotos. Cada aluno ou grupo de alunos serviu de modelo para aproximadamente 50 fotos, com diversas imagens sobrepostas. Ao fim do registro fotográfico foi obtido um acervo digital de aproximadamente 2.000 imagens. Os próprios alunos fotógrafos efetuaram a escolha das melhores imagens de cada aluno e ou grupo de alunos para que se realizasse uma exposição fotográfica na escola.
Para a conclusão do projeto foi elaborado painéis utilizando tecido “tnt” com a fixação das fotos revelas e organizada uma exposição para que compartilhassem do trabalho. Muitas foram as caras de espanto com os efeitos conseguido com as fotografias.
O ensino deste tema se faz necessário não só por força da lei nº 10.639, mas para que ocorra a valorização da cultura das matrizes curriculares africanas nas unidades de ensino de nosso país.

Referências:

GALLARDO, Jorge Sergio Pérez. Prática de ensino em educação física. São Paulo/SP: FTD. 2009, 1ª ed.
NEIRA, Marcos Garcia. Por dentro da sala de aula: conversando sobre a prática. São Paulo/SP: Phorte. 2004, 1ª ed.
NEIRA, Marcos Garcia. Educação física: desenvolvendo competências. São Paulo/SP: Phorte. 2006, 2ª ed.
NEIRA, Marcos Garcia & NUNES, Mário Luiz Ferrari. Pedagogia da cultura corporal: críticas e alternativas. São Paulo/SP: Phorte. 2008, 2ª ed.
SOARES, Carmen (organizadora). Corpo e história. Campinas/SP: Autores Associados. 2006, 3ª ed.

Instituições
  • 1 EMEF Profª Janilde Flores Gaby do Vale / PREFEITURA MUNICIPAL DE HORTOLÂNDIA
Eixo Temático
  • 2. Cotidiano e práticas educativas
Palavras-chave
corpo
Cultura
Educação física
africanidade