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Conversar no Silêncio? O que se passa entre gestos, olhares e movimentos durante aulas com alunos surdos e professores ouvintes? O que nos move? Há silêncio? Que silêncio? Desde que ponto de vista? As indagações provocam a criação de procedimentos, proposições e material específico para constituição de um processo no qual educar é transbordar limites, transbordar a escola e seus modos de ser, estar, aprender e ensinar; descolar as práticas do ouvido em busca de uma pedagogia surda. Numa via de mão dupla, as aulas-conversas acontecem no encontro de ‘mundos’ e na afirmação do pensar com o outro. Este trabalho tem como objetivo, nesse contexto, compartilhar encontros, acontecimentos e experiências vividas com estudantes surdos em uma escola especializada na educação de surdos na cidade do Rio de Janeiro, o Instituto Nacional de Educação de Surdos. Nesse espaço, recebemos estudantes sem apresentar língua de sinais, outros sinalizantes e ainda surdos com comprometimentos, como surdo autista, por exemplo. O estar e se relacionar com estes estudantes, que para nós representam uma alteridade radical, na medida em que tensionam nossos modos conhecidos de ser e estar professores, dão a ver princípios e pistas para pensar/ construir, coletivamente, uma prática pedagógica centrada na experiência visual e na língua de sinais como língua de instrução e relação. Assim, compartilhamos neste trabalho exercícios de autoria do/discente em que escuta transcende em atos, parcerias e cuidados, na tessitura de uma educação bilíngue de surdos atenta ao sujeito real, de carne e osso, presente na relação educativa, assumindo o aluno surdo como outro potente e legítimo no processo formativo docente.
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