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Ventar a vida: reencantar-se pelo misterioso

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Este estudo traz apontamentos sobre os dois possíveis objetos de estudo das aulas de Ciências e, sobretudo, de Biologia: o (ser) vivo e a vida; por isso mesmo, eis uma reflexão sobre e a partir da tensão existente entre o pensar o vivo e a vida, principalmente quando em diálogo com áreas irmãs, como a Química e a Física, ou mesmo quando com a Geografia. Além disso, a presente reflexão, não versando sobre uma prática específica do cotidiano escolar, faz parte de uma experiência profissional inicial de docência – são preocupações iniciais sobre os temas “vida” e “ser vivo” que estiveram presentes até então apenas no âmbito das pesquisas desenvolvidas pelo autor quando na universidade, e que agora ganharam as salas de aula. A tensão a qual estamos nos referindo pode muito bem ser esclarecida como uma tensão entre o determinado e o indeterminado, entre aquilo que fecha possibilidades de pensamento, tolhendo, inclusive, a imaginação, e aquilo que escapa fazendo viver desejos de saber mais, de produzir novos conhecimentos. Por um lado, existe o domínio do ser vivo, do currículo, das definições técnicas das estruturas, das forças, das funções e processos biológicos ou mesmo bioquímicos/biofísicos; por outro lado, encontra-se silenciado (ou mesmo inexistente, não mencionado) nos materiais didáticos um vitalismo capaz de reencantar os envolvidos com e naquilo que a vida tem de mais misterioso: sua (in)definição ou mesmo conceituação. Acredita-se que essa tensão possa ser produtiva por meio da escrita em parceria com a ficção, com o imaginário – com a criação. Escrever “impossíveis” para saturar a vida com insaturações. Usar a favor da maravilhoso-misterioso a escrita, a produção de sentidos-mundos.