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MEXICO E BRASIL: ESPAÇOS FORMATIVOS E ESCRITAS DOCENTES

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Ponho em diálogo duas pesquisas centradas na análise da produção de textos autobiográficos em espaços de formação docente, um espaço se centra na formação inicial e o outro, na formação continuada. Os sujeitos da investigação são docentes de dois países latino-americanos: México e Brasil. As escritas que surgiram como resultado da ação formativa, ou seja, os textos autobiográficos, nos permite aprofundar discussões sobre os sentidos da docência. Trazendo os conceitos de conhecimento e emancipação de Paulo Freire, as ideias de Epistemologia do Sul, de Boaventura de Souza Santos, e o pensamento decolonial (Mignolo e Quijano), ponho em discussão textos autobiográficos de 15 professores/as moradores da cidade de São Gonçalo, no Brasil e na cidade de Oaxaca, no México. Esta experiência nos oferece pistas sobre as possibilidades e impactos de práticas de escrita de si que não contribuam para a colonização de professores e escola. Ler narrativas docentes autobiográficas tem nos permitido desconfiar da afirmação contundente de Benjamin (1996) de que “a arte de narrar” está “em vias de extinção”. Ao assumirem literalmente o dizer de Benjamin (1996), nem sempre se dão conta do contexto histórico e político no qual vivia o autor ao fazer essa afirmação - um contexto de pós-guerra onde “os combatentes voltavam mudos do campo de batalha não mais ricos, e sim mais pobres em experiência comunicável” (p.198), visto o quão desmoralizantes eram as estratégias de guerra. Por isso vemos a pertinência de não mais afirmar de maneira categórica que a narrativa é algo em extinção. Preferimos pensar a arte de narrar produzida como experiência (LAROSSA, 2005). Assim, tal qual a figura da Xerazade, também nós professoras, em nossas trajetórias profissionais, temos histórias para narrar/compartilhar. Histórias que se assemelham a de Xerazade, porque são marcadas por lutas e enfrentamentos contra o fracasso escolar. Histórias que, sendo inventadas e reinventadas a cada dia, mostram o inconformismo das professoras com o anúncio do derradeiro final: a repetência, a evasão, o analfabetismo.