Do Apagamento ao Resgate das Memórias
O cotidiano de nossas escolas e salas de aula muitas vezes cai no esquecimento. O giz e a lousa, ainda referenciais fortes da prática pedagógica, são uma imagem bastante clara deste fato: atividades, exercícios, esquemas, produções de texto, desenhos e outros são cotidianamente feitos e apagados, acumulando montanhas de pó de giz, que podem representar, metaforicamente, o apagamento de nosso fazer pedagógico. Apesar dessa constatação, uma boa parte dos educadores de hoje já tem a prática mais constante de um registro escrito de seu trabalho, seja em sua rotina diária, através de seus apontamentos em cadernos ou diários, seja em momentos pontuais de socialização de práticas. Vemos hoje muitos educadores apresentando trabalhos em congressos e seminários, compartilhando suas experiências, aprendendo com essa troca. Esta apresentação traz alguns respingos de memórias por mim vividas ao longo de minha vida profissional na Rede Municipal de Campinas, como professora de Língua Portuguesa no ensino fundamental II. São escritos que foram motivados por minha participação em alguns espaços e projetos dos quais participei: “Programa de Ensino do Projeto Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo” (FAPESP processo 97/02322-0); Projeto “Escola Singular, Ações Plurais” (FAPESP processo 03/13809-0); Grupo de Terça do GEPEC/Unicamp; além da dissertação produzida em meu Mestrado na Faculdade de Educação/Unicamp. A partir de todas essas lições de experiências vividas e acreditando que a memória e a escrita podem ser ferramentas de grande potencial para o desenvolvimento profissional e pessoal, trago algumas narrativas autobiográficas escritas por mim e/ou por meus colegas, com o desejo de que, a partir delas, as memórias de cada um dos presentes também sejam ativadas e resgatadas.