Brincar e re-existir na escola
Nesta narrativa pretendemos compartilhar uma experiência sobre o brincar como tema gerador do trabalho pedagógico realizado com turmas de 1os anos, em 2016 em uma escola de educação integral da Prefeitura de Campinas. A escolha da narrativa como gênero discursivo, como forma de significar o que nos tocou enquanto professores, nos permite reapresentar na escrita, o movimento de ruptura que buscamos realizar no contexto da escola. Ruptura no sentido de ampliar a participação das crianças nos espaços de discussão e decisão, tentando garantir seus direitos como cidadãos, dentre eles, em especial, o brincar. O tema gerador foi definido pela necessidade de reforma do parque e da criação de materiais e espaços de brincar. Por meio de assembleias (entre as crianças, com a direção da escola, dirigentes da secretaria de educação e também com os pais da comunidade) as discussões e ideias foram acumuladas e aprofundadas, para compreender as demandas de todos e as possibilidades de realização. Ao longo do projeto e em diálogo com as crianças, foram produzidos planos e registros em diferentes linguagens integrando-se ao trabalho de diferentes áreas do conhecimento. Destacamos neste trabalho a Educação Física, primeiramente pela sua especificidade, onde o brincar é tratado como conteúdo, e em segundo pelas possibilidades de diálogo criadas com outras disciplinas, articulando corpo, linguagens e conhecimentos. A experiência que compartilhamos aqui contou com espaço-tempo de uma “disciplina” planejada para articular projetos coletivos entre crianças e docentes: um modo singular de apropriação de mudança curricular feito por essa escola. Mesmo com resistências internas de alguns docentes e também da própria secretaria de educação, mobilizamos crianças, professoras e famílias com mutirões comunitários para construir inúmeros brinquedos, reformar materiais do parque e pintar espaços. Compreendemos a importância do projeto na valorização da participação das crianças como forma produzir uma escola outra.