Arte e escola pública: uma experiência estética
Sou coordenadora pedagógica em escola pública do município de Osasco, São Paulo, e tenho tentado levantar discussões no interior da escola que possam contribuir à reflexão sobre si mesma, seus objetivos, seus pares, quem a move. Em 2016 foram realizadas ações voltadas à arte na escola, com o propósito de aproximar mais esses dois universos, a princípio, distantes. A inquietação responsável pela decisão de iniciar tais ações surgiu de uma observação feita ao longo dos anos de docência, que se transformou em pergunta: por que, dentro da escola, só se fala em arte na aula de arte? Foi feita a proposta aos professores de utilizarmos a poesia e suas manifestações como norte para o ano letivo. Tivemos ao todo oito ações: discussão inicial sobre o que é poesia e leitura e discussão de poemas (tanto com professores e funcionários como com os alunos); intervenção “Chuva de poesia” no pátio da escola; leitura e declamação de poemas no pátio da escola (ao longo do ano); mostra cultural sobre o nordeste; visita dos adultos (professores e demais funcionários da escola) ao MAB FAAP; conversa dos alunos dos 5º anos com Parteum, rapper profissional; visita dos alunos à Pinacoteca; mostra de arte. Embora todas as turmas do ensino fundamental – 1º ao 5º ano – tenham participado, nem todos os professores se engajaram no projeto. Por outro lado, mesmo os professores menos envolvidos realizaram todas as ações propostas com suas turmas. Quanto aos alunos, foi possível perceber interesse, a partir da observação de atividades coletivas. Devido ao tamanho da escola – 28 turmas – foi impossível acompanhar todas as atividades realizadas em sala de aula, ficando a cargo do bom senso e comprometimento de cada professor concretizá-las ou não com os alunos.