MÃOS QUE MOLDAM A TERRA E TECEM REDES DE AFETOS: EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA EM TERAPIA OCUPACIONAL
Trata-se de um relato de experiência da disciplina “Atividades e Recursos Terapêuticos IV”, oferecida a estudantes do 4º período da Faculdade de Terapia Ocupacional da PUC-Campinas. A Terapia Ocupacional se utiliza de tecnologias orientadas para emancipação e autonomia de pessoas que, por problemáticas de origem física e psicossocial apresentam dificuldades para desenvolvimento de suas necessidades ocupacionais e participação na vida social. A disciplina objetiva estudar diferentes modelos e técnicas de intervenção terapêutica ocupacional. Divide-se em módulos teóricos e práticos. As aulas práticas proporcionam a experimentação e desenvolvimento de análise de atividades, visando o conhecimento teórico-prático do manejo terapêutico da atividade. Este relato refere-se à experimentação de modelagem em argila. Este material apresenta potencial para expressão e catarse de conteúdos simbólicos inconscientes, desenvolvimento da criatividade, resgate de memórias individuais e coletivas, expressões culturais, desenvolvimento de habilidades técnicas e relacionais. A experiência envolveu um grupo de treze alunos e a professora. Da exploração livre ao desenvolvimento de técnicas de modelagem, realizaram-se projetos individuais e grupais. O envolvimento dos alunos permitiu uma eclosão de criatividade para além do que era planejado inicialmente. A análise de vivências pessoais e o resgate de histórias de vida enriqueceram o processo de aprendizagem. Um aluno interessou-se pela extração da argila bruta junto ao rio próximo de sua casa e, para tanto, envolveu seu grupo familiar. Trazendo a argila bruta para o laboratório e sua narrativa do processo de extração, acabou incitando o grupo à construção de um projeto coletivo repleto de afetos e compreensões acerca do potencial terapêutico do material. A experiência permitiu a identificação desse potencial com os princípios da Reabilitação Psicossocial, uma vez que possibilitou a formação de redes de vínculos sociais, afetivos e de apoio à autonomia, explicitando a potência transformadora do trabalho criativo na interação homem-ambiente. Finalmente, este trabalho visa apontar contribuições da Terapia Ocupacional ao processo de Reabilitação Psicossocial, a partir da descrição e análise da experiência pedagógica vivida pelos alunos. Segundo Benneton (1991), “Priorizar o social em reabilitação psicossocial implica em sair de centros de reabilitação, hospitais e de oficinas abrigadas, para criar espaços de intervenção na própria comunidade”. REFERENCIAS BENETTON, M.J. "Uma abordagem psicodinâmica em terapia ocupacional." Rev. ter. ocup 2.2/3 (1991): 55-9.