A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO: TERAPIA OCUPACIONAL E GERAÇÃO DE RENDA NO CONTEXTO DA SAÚDE MENTAL
"Introdução: No final da década 1970, com a emergência da Reforma Psiquiátrica, ocorreu no Brasil a mudança do modelo de tratamento em saúde mental, garantindo o acesso da população aos serviços e o respeito a seus direitos e liberdade. A Reforma Psiquiátrica está apoiada pela Política Nacional de Saúde Mental Lei 10.216/2001, que assegura os direitos da pessoa com transtornos mentais1, e pela Portaria nº 3.088/2011, que instituiu a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), organizando os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender a população com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas2. A RAPS é constituída por vários serviços e equipamentos, destacam-se neste estudo as iniciativas de economia solidária. Objetivo: Este trabalho tem por objetivo descrever as publicações que vêm sendo realizadas na área de saúde mental com relação a geração de renda. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa natureza descritiva e quantiqualitativa. Foi realizado coleta de dados nos Periódicos de Terapia Ocupacional (Caderno de Terapia Ocupacional- UFSCar e Revista de Terapia Ocupacional- USP). Os dados quantitativos foram analisados a partir de estatística descritiva simples (%). Para a análise qualitativa foram utilizados como base no referencial da Análise do Discurso (AD). Resultados: Por meio deste estudo, constatou-se a partir de 2011 até 2015 aumento nas publicações. Do conteúdo, 56% das publicações abordaram as características das iniciativas da Economia Solidária, 22% apresentaram apontamentos sobre atuação do Terapeuta Ocupacional neste âmbito e 22% referem-se a outros conteúdos. Sobre os dados qualitativos, notou-se que há uma predominância na produção de atividades artesanais. Constatou-se a utilização de denominações diferentes sobre o funcionamento: Grupo de Geração de Trabalho e Renda, Oficina de Geração de Renda/Oficina de Trabalho e Geração de Renda, revelando a dificuldade de definição das oficinas. O Terapeuta Ocupacional na Economia Solidária promove a inclusão social, o trabalho coletivo e democrático, além de desenvolver o papel de facilitador, pois com a formação técnica de análise da atividade facilita o processo do trabalho. Os principais desafios encontrados estão nas questões políticas de suporte à Economia Solidária, e o trabalho na área administrativa seguindo o princípio de autogestão. Conclusão: Contudo, pode-se concluir que houve um aumento de publicações de Terapia Ocupacional em Saúde Mental e Geração de Renda. Tal fato se deve pela maior visibilidade após a criação da RAPS. Observou-se a importância do trabalho na vida de pessoas que até então a sociedade negligenciava, sem ter o seu direito de cidadão. Referências 1.Brasil. Lei no 10.216, de 6 de abril de 2001.Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Brasília, DF, 2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10216.htm 2.Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde.