STRESS PSICOSSOCIAL NA GRAVIDEZ: DETERMINANTES E CONSEQUÊNCIAS PARA A MÃE E BEBÉ
Objetivo: Pretende-se descrever a prevalência de eventos adversos (Stressful Life Events – SLE) ocorridos durante a gravidez e estimar a sua associação com características maternas e da criança. Métodos: A coorte Portuguesa Geração XXI recrutou 8647 díades mãe-bebé, 48 a 72 horas após o parto. Conduziram-se entrevistas face-a-face utilizando questionários estruturados e consultaram-se registos clínicos para recolha de dados sociodemográficos, cuidados pré-natais, parto e do recém-nascido. Foi aplicada uma escala com resposta Sim/Não sobre a ocorrência de SLE durante a gravidez. Para a análise foi criado um score (nenhum vs.≥1 evento durante a gravidez). Os eventos foram agrupados em stress financeiro, doença/morte de alguém próximo, stress relacional (separação/divórcio/agressão) e outras diversas situações que originam stress. Resultados: Das participantes, 49,0% reportaram pelo menos um SLE durante a gravidez, e os eventos mais relatados foram stress financeiro(19,7%) e doença/morte de alguém próximo (15,8%). Comparando com mulheres sem SLE reportados, as grávidas com SLE procuraram mais cuidados médicos (>10 consultas pré-natais) (46,7%vs.53,3%;p<0,001), apresentaram mais complicações na gravidez (44,7%vs.55,3%; p<0,001) e tiveram crianças com mais baixo peso ao nascer (47,0%vs.53,0%; p<0,001). Participantes com SLE consumiam mais álcool (54,3%) e tabaco (53,7%) durante a gravidez e consumiram droga pelo menos uma vez (71,9%). O risco de complicações durante a gravidez é maior em mulheres que reportaram SLE (OR[IC95%]=1,59[1,45;1,75]), e o stress relacional está associado com baixo peso ao nascer (OR[IC95%]=1,87[1,26;2,16]), mesmo após ajuste para potenciais confundidores. Conclusão: Eventos adversos durante a gravidez estão associados com comportamentos de risco e mais complicações durante a gravidez e a bebés com baixo peso ao nascer.