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GOVERNANÇA E SAÚDE REPRODUTIVA, MATERNA E INFANTIL: QUEM É MAIS BENEFICIADO?

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Objetivo: avaliar associação entre indicadores de governança e cobertura de intervenções de saúde reprodutiva, materna e infantil. Métodos: foram analisados os inquéritos Demographic and Health Surveys e Multiple Indicator Cluster Surveys mais recentes de 80 países de baixa e média renda. Um índice composto de cobertura (ICC) de saúde materno-infantil foi analisado de acordo com seis indicadores de governança calculados pelo Banco Mundial, cada um variando de -2.5 a +2.5. Utilizamos regressão linear bruta e ajustada para produto interno bruto, coeficiente de Gini para renda, tamanho populacional e área geográfica do país. As análises foram estratificadas por quintil de riqueza e área de residência. Resultados: o ICC variou de 27.1% (Chad) a 89.8% (Costa Rica). Em praticamente todos os países, a cobertura de ICC foi mais alta entre os mais ricos e nas áreas urbanas. Melhor desempenho nas seis dimensões da governança foi associado a maior cobertura no ICC na análise bruta. Após ajuste, apenas a dimensão estabilidade política e ausência de violência permaneceu associada à maior cobertura de ICC entre os mais pobres (β=7.5; IC95% 2.3-12.7; p=0.006), mas em menor grau para os mais ricos (β=3.5; IC95% 0.9-6.1; p=0.009). Esta dimensão da governança esteve também mais fortemente associada com cobertura nas áreas rurais (β=6.3; IC95% 1.7-10.9; p=0.008) do que nas áreas urbanas (β=4.4; IC95% 1.5-7.2; p=0.003). Conclusões: Países afetados por instabilidade política ou atos de violência apresentam menores coberturas particularmente entre os mais pobres e residentes em zona rural.