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Objetivos: Este estudo analisa os efeitos da violência contra gestantes em sintomas de depressão pós-parto. Métodos: Foi realizado estudo de coorte em uma coorte de pré-natal no município de São Luís (Brasil). A amostra inicial reuniu 1.446 gestantes e a amostra final 1.139 mães. Os dados foram coletados na gestação, no puerpério e no segundo ano de vida da criança. Violência contra gestantes e sintomas de depressão pós-parto foram investigadas como variáveis latentes. O modelo proposto, estimado por modelagem de equações estruturais, teve situação socioeconômica, características demográficas, suporte social, violência contra gestantes e depressão na gestação como determinantes do desfecho sintomas de depressão pós-parto. O modelo proposto teve bom ajuste. Resultados: Sintomas de depressão pós-parto foram mais relatados por gestantes que mais frequentemente sofreram violência na gestação (Coeficiente Padronizado, CP=0.324; pvalor, p<0.001). Esse efeito positivo ocorreu vias direta (CP=0.158; p=0.005) e indireta (CP=0.166; p<0.001), essa última mediada pela presença de depressão na gestação (CP=0.341; p<0.001). Conclusões: O principal e mais importante achado desta pesquisa suporta a evidência de que a violência na gestação contribui com o surgimento de sintomas de depressão pós-parto, associando também a situação socioeconômica desfavorável e a ocorrência de depressão na gestação.