ACIDENTES DE TRABALHO ENVOLVENDO SERPENTES NO BRASIL (2007-2015)
Objetivo - Descrever as características dos casos de acidentes de trabalho envolvendo serpentes (ofidismo) no Brasil entre 2007 e 2015. Métodos - Trata-se de estudo descritivo de casuística, realizado com dados do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) coletados com a ficha específica para envenenamentos causados por serpentes, no período do estudo. Todos os casos de acidentes de trabalho, identificados no campo <acidente relacionado ao trabalho> foram analisados para características sócio demográficas, espaciais e temporais e circunstâncias do envenenamento. Resultados - No período foram notificados 87.389 acidentes de trabalho causados por serpentes no país. A maioria era do sexo masculino (86,5%), cor parda (57,6%), com ensino primário incompleto (58,8%) e procedente da zona rural (91,7%). Quase metade dos casos (49,8%) foi classificada como de gravidade leve e a maioria das lesões (73,7%) ocorreu em membros inferiores. Nas regiões Sul e Sudeste, o atendimento tardio foi raro (5,9% e 6,0%, respectivamente), enquanto na região Norte chegou a 27,8%. Em todas as regiões, a maioria das notificações foi na agropecuária (90,8%), com a menor predominância na região Centro-Oeste (74,1%). Conclusões – Apesar de registrados, acidentes de trabalho com serpentes são raramente focalizados na Vigilância em Saúde do Trabalhador, inexistindo programas de prevenção específicos. Estes achados revelam a predominância de agricultores, do sexo masculino, e picadas nos membros inferiores, sinalizando para a prevenção com o uso de equipamento de proteção individual (bota).