DESIGUALDADES RACIAIS E MORTALIDADE DE PÓS-NEONATOS NO BRASIL

Vol 2, 2021 - 139686
Comunicação Oral Coordenada - COC 32 - DESIGUALDADES ÉTNICO-RACIAIS E A SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA
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Resumo

Objetivos: Avaliar as desigualdades raciais na mortalidade de pós-neonatos (28-364 dias de idade) no Brasil geral e por causa. Metodologia: Foi realizado um estudo de coorte com todos os nascidos vivos do Sistema de Informação de Nascidos Vivos entre 01/01/2012 e 31/12/2018, vinculados ao Sistema de Informações sobre Mortalidade. Utilizou-se regressão de Cox para avaliar o efeito da desigualdade racial, medida como a raça/cor da pele materna, na mortalidade pós-neonatal. Foram usadas como ajuste a idade, escolaridade e estado civil da mãe, quantidade de filhos vivos, número de consultas pré-natal, idade gestacional, tipo de parto, peso ao nascer e ano de nascimento. Resultados: Foram estudados 19.291.630 nascidos vivos, dos quais 61.322 vieram a óbito no período pós-neonatal. Se comparadas com filhos de mães brancas, o risco de óbito foi maior entre pós-neonatos de mães indígenas (RR=2,34;IC95%=2,21-2,49), de mães pretas (RR=1,30;IC95%=1,25-1,35) e pardas (RR=1.15;IC95%=1,14-1,18). Quando observada as causas específicas, o risco de óbito por doenças diarréicas foi 12 vezes maior entre filhos de mães indígenas (RR=12,90;IC95%=10,9-15,2), seguido das filhos de mães pretas (RR=1,48;1,2-1,8) e pardas (RR=1,77;IC95%=1,6-2,0). Filhos de mães indígenas tiveram 14 vezes maior risco de óbito por desnutrição do que de brancas (RR=14,1;IC95%=11,1-18,2), seguidos dos de mães pretas (RR=1,85;IC95%=1,4-2,5) e pardas (RR=2,0;IC95%=1,7-2,4). Relação semelhante também foi observada para o risco de óbito por gripes e pneumonia. Conclusões: Esse estudo evidencia grandes desigualdades raciais nas taxas de mortalidade pós-neonatal e sugere a necessidade de implementação das políticas de promoção da equidade racial e ações específicas para a saúde materno infantil.

Eixo Temático
  • Epidemiologia em subgrupos populacionais específicos