UM OLHAR DIGITAL: APLICATIVOS QUE INTERAGEM COM ?PESSOAS? APÓS A MORTE - UMA ANÁLISE SOBRE AS NOVAS TECNOLOGIAS E AS VIOLAÇÕES DA DIGNIDADE HUMANA NO USO DA IMAGEM POST MORTEM
O comportamento do homem pós-moderno deriva em muitos aspectos da sua interação com a tecnologia. Destarte, torna-se cada vez mais comum observar novas condutas resultantes dessa interação do homem com a inteligência artificial de computadores e softwares digitais. O uso da imagem em redes e mídias sociais é de grande interesse por parte dos seus usuários, seja pela própria exposição ou pela busca da imagem de outros. Esse crescente interesse e estímulo à exposição pública por parte de seus usuários tem feito com que novos recursos digitais de manipulação da imagem sejam aperfeiçoados e inovados. A mais recente inovação no campo dos recursos de manipulação de fotos e imagem digital apresenta, no entanto, uma preocupação para os direitos individuais do ser humano. A tecnologia empregada em aplicativos para aparelhos de redes móveis (smartfones e tablets) propõe a possibilidade de interação entre seus usuários e pessoas falecidas. Basta apenas que ainda em vida o indivíduo tenha sua imagem ?scaneada? e armazenada em banco de dados do servidor, podendo ser utilizada pelo utente do aplicativo a qualquer momento, permitindo a interação deste com seu ente falecido, propiciando-lhe tirar ?selfs? das mais possíveis formas que se possa imaginar. O risco que essa nova interação e manipulação de imagens traz vai mais além, pois permitirá, ainda, possível vídeo e áudio do falecido, desrespeitando o direito subjetivo de ter ou não a imagem vinculada a qualquer situação que não permita, já que não é necessário a autorização do indivíduo para a sua veiculação.