A EXECUÇÃO DE THOMAS DE LANCASTER (1278-1322) NO SALTÉRIO DE LUTTRELL
Thomas Lancaster (1278-1322) foi, conforme expõe Michael Prestwich (2005), o nobre mais poderoso na Inglaterra durante as duas primeiras décadas do século XIV. Liderando uma forte oposição à Eduardo II (1284-1327), Lancaster entrou em conflito direto com os exércitos do rei em 1322, sendo derrotado e executado. Após sua morte, muitos de seus antigos aliados passaram a cultuar a sua imagem. Diversas figuras provenientes do período ilustram Thomas no momento de seu martírio, dentre as mais célebres está uma iluminura presente no manuscrito iluminado denominado o Saltério de Luttrell. O manuscrito foi confeccionado na década posterior à morte de Lancaster, a mando de Sir Geoffrey Luttrell, um nobre inglês sem aparente envolvimento com a rebelião descrita. A partir das evidências levantadas por Joyce Coleman (1999), é possível traçar paralelos entre Sir Geoffrey Luttrell e a família de Lancaster, demonstrando uma possível aliança entre as duas famílias, com um histórico até mesmo anterior aos eventos de 1322. Sir Geoffrey Luttrell não participou ativamente de batalhas contra o rei, tendo permanecido, teoricamente, leal a este. Contudo, a imagem de Lancaster, no manuscrito que Geoffrey tanto influenciara, indica uma contradição. A partir da análise de Joyce Coleman e da historiografia referente ao Saltério de Luttrell, pretendemos abordar estas questões e analisar o possível envolvimento entre Sir Geoffrey Luttrell e Thomas Lancaster.