A Nova BNCC e o Método Socrático

Vol. 1, 2004 - 314894
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Resumo

A Nova BNCC do Ensino Médio estabelece as aprendizagens a serem adquiridas nesta etapa da educação básica em termos de competências e habilidades e, dentre estas (tanto as gerais como as específicas da área  de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas), várias dizem respeito ao desenvolvimento do “pensamento crítico”, da “autonomia” e do “protagonismo”, bem como da capacidade de ser-se “responsável”. Sendo assim, surge a questão, quais e de que forma a Filosofia (como disciplina ou práticas e estudos) pode contribuir para a aquisição desse tipo de formação. Considerando-se que (1) os alunos que participam de um processo de aprendizagem de  forma ativa, em regra, desenvolvem maior interesse pelos estudos e, consequentemente, melhoram o seu desempenho escolar e que (2) o diálogo socrático, com a participação ativa de seus interlocutores, é uma prática que possibilita, em algum nível, esclarecimentos conceituais, parece razoável propor que possa ser transposto para um contexto de sala de aula. Para além de esclarecimentos conceituais, supõe-se que o exercício do diálogo socrático traz consigo o aprendizado deste como método de investigação bem como, na medida em que é um procedimento coletivo e, tendo a sua eficácia atrelada a capacidade de respeitar, colaborar e conciliar, a sua compreensão e o seu exercício promovem o desenvolvimento destas caraterísticas naqueles que o praticam. Sendo o diálogo socrático, também, uma prática cujo valor reside nas qualidades lógicas dos argumentos e não em quaisquer outras características de quem os formula (raça, classe, autoridade,...) e havendo exemplos históricos (como relata Martha Nussbaum em sua obra “Sem Fins Lucrativos”) de bons resultados na educação, formando alunos ativos (capazes de auto-exame, julgarem através de critérios próprios e, portanto, serem responsáveis pelo que decidem) pode-se esperar que a prática socrática contribua para a formação de cidadãos aptos a desenvolverem empatia e respeitar os que têm posições e fundamentos diferentes para o que decidem,  bem como serem críticos e autônomos, o que se contraporia àqueles que se submetem a pressão de iguais e/ou de autoridades. Entendendo que (1) o diálogo socrático pode trazer tais resultados e (2) que de diversos destes diálogos  pode-se extrair a obediência  a um padrão, a pesquisa que proponho é a de realizar uma intervenção em sala de aula através dessa prática a fim de levar a teste a sua eficácia como instrumento de ensino e aprendizagem.

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Instituições
  • 1 UFRGS
Área Temática
  • Práticas Dialógicas para o Ensino da Filosofia
Palavras-chave
Ensino Médio
BNCC
Práticas Dialógicas
Método Socrático
Autonomia