Favoritar este trabalho

Introdução: A prática assistencial da enfermagem envolve inúmeras ações, dentre as quais podemos destacar a produção de conhecimentos que fundamentam essa prática, bem como o aumento das demandas de saúde pelos indivíduos e pela sociedade, o que determina aos enfermeiros a necessidade de desenvolverem habilidades e competências para responderem a essas exigências(1). Para tanto, faz-se necessário a incorporação de novas tecnologias pelos profissionais de enfermagem no processo de cuidar, para transformar o objeto e alcançar a finalidade do seu trabalho, e desse modo, podemos destacar o diagnóstico de enfermagem que vem produzindo mudanças gradativas nos cuidados prestados pelo enfermeiro(2,3). O diagnóstico de enfermagem é um método de raciocínio, de avaliação e julgamento, que necessita de um processo cognitivo e de habilidades intelectuais, além de vivência prática e conhecimento científico Ele é baseado na obtenção de sinais e sintomas e na análise de fatores relacionados com o problema, que pode ocorrer tanto com o cliente, com a família ou a comunidade(4). Objetivo: descrever as características definidoras e os fatores relacionados do diagnóstico de enfermagem “amamentação ineficaz”. Método: Trata-se de um estudo transversal, desenvolvido com puérperas e recém-nascidos internados na Maternidade de um Hospital Universitário. Os critérios de exclusão: puérperas que possuíam história pessoal ou familiar de doença psiquiátrica, que não puderam amamentar por doença infectocontagiosa, eram usuárias de drogas ilícitas e que não residiam na Grande Vitória/ES. O formulário de coleta de dados foi desenvolvido para identificar as características definidoras e os fatores relacionados do diagnóstico amamentação ineficaz conforme a NANDA-I, 2012-2014. As variáveis foram organizadas em cinco seções: 1) dados de caracterização da mãe; 2) avaliação clínica das mamas; 3) avaliação da mamada; 4) dados de caracterização do recém-nascido; 5) atitudes e/ou comportamento da amamentação. Os dados foram obtidos mediante entrevista; consulta aos prontuários; exame físico e observação clínica do binômio durante a mamada até 48 (quarenta e oito) horas após o nascimento. A coleta de dados foi realizada no período de 01 de julho a 30 de agosto de 2014, após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde/UFES, sob n° 695.734, em 25/06/2014.Resultados: O diagnóstico esteve presente em 58,9% da amostra. As características definidoras que apresentaram forte associação com o diagnóstico foram: a descontinuidade de sucção da mama, esvaziamento insuficiente da mama, suprimento de leite inadequado percebido, a resistência do lactente em apreender a região aréolo-mamilar com a boca, ausência de sinais observáveis de liberação de ocitocina e lactente chora ao ser posto na mama. E os fatores relacionados com forte associação: reflexo de sucção do lactente insatisfatório e a ansiedade materna. Conclusão: A presença e o número de características definidoras influenciam no diagnóstico de amamentação ineficaz. Este estudo pode ajudar os enfermeiros na prática clínica, visto que possibilita reduzir vieses nas inferências realizadas sem base em evidencias clínicas, contribuindo para a melhoria da qualidade da assistência.