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SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM: DIALÉTICA ENTRE O REAL E O IDEAL

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Introdução: A organização hospitalar é uma das mais complexas dos serviços de saúde devido à coexistência de inúmeros processos assistenciais e administrativos(1). O enfermeiro gerencia o cuidado quando o planeja, prevê e provê recursos, capacita sua equipe, educa seu usuário e interage com outros profissionais, sendo fundamental que se aproprie da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) para a qualidade da assistência(2). Na tentativa de facilitar a operacionalização da SAE, o enfermeiro fragmenta o trabalho, sendo esse trabalho ainda incipiente com a prática assistencial, estando mais presente no cenário ideal, norteado pelos modelos gerenciais e assistenciais, do que no fazer real do cotidiano no hospital(3). Assim, justifica-se este estudo com o intuito de contribuir para a reflexão dos enfermeiros e dos centros formadores sobre a necessidade de romper a dicotomia entre o que é preconizado e o que é realizado no cotidiano da enfermagem sobre a implementação da SAE, visto que essa ferramenta apresenta-se como respaldo legal da profissão. Objetivo: Analisar a dicotomia entre a teoria e a prática da SAE na práxis profissional do enfermeiro, bem como o papel dos centros formadores no seu ensino-aprendizagem. Método: Estudo qualitativo, ancorado no referencial da Hermenêutica-Dialética. O campo de desenvolvimento constou-se de três Hospitais de um município de Minas Gerais, constituindo-se de 32 enfermeiros com cargos gerenciais e assistenciais. Na coleta de dados elegeu-se a técnica de grupo focal utilizando-se gravadores para o registro dos discursos e na análise dos dados utilizou-se a análise temática. O Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alfenas aprovou a realização da pesquisa por meio do CAAE 08899312.8.0000.5142. Resultados: Os resultados mostraram a dicotomia entre a teoria e a prática da SAE na práxis profissional, bem como o papel dos centros formadores e o ensino-aprendizagem da SAE. Discussão: Superar a dicotomia entre a teoria e a prática continua sendo um grande desafio para os órgãos formadores e para as instituições hospitalares(4). Na expectativa de compreender as vivências pelos enfermeiros a respeito da SAE, observa-se que ainda persiste a prática fragmentada entre o ato de gerenciar/assistir. Nesse sentido, os centros formadores devem comprometer-se com a formação profissional, adequando os planos de ensino à realidade a ser aplicada. Conclusões: Faz-se necessário que os centros formadores reavaliem o modo como vêm transmitindo os conhecimentos aos alunos, de modo que provoquem o estímulo destes profissionais de acordo com o que está previsto na legislação desta profissão. Entretanto, seriam necessárias propostas de superação tanto dos centros formadores quanto das instituições hospitalares a fim de construir e reconstruir os saberes dos enfermeiros, para que estes sejam capazes de transformar a profissão frente a seus pensamentos críticos e reflexivos.