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O crescente número de cesáreas tem causado preocupação mundial devido as possíveis consequências à saúde da mãe e do bebê, além do seu custo, pois representa um gasto adicional ao sistema de saúde.1 A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma taxa ideal para cesáreas entre 10 e 15%.2 Porém, a preocupação não deve se ater em índices, mas sim em garantir que as cesáreas sejam realizadas conforme necessidade, considerando riscos e benefícios, além de incluir a gestante no processo de decisão sobre a via de parto, baseando-se em evidências.1 Assim, objetivou-se verificar o desejo das mulheres quanto a via de parto e o que ocorreu. Realizou-se um estudo transversal, entre março e junho de 2016 por meio de um questionário on line (Google Docs) lançado na rede social em grupos relacionados ao nascimento, ao qual só tiveram acesso aquelas que concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (aprovada pelo CEP/FHO/Uniararas sob parecer n°1.451.239). Do total de questionários respondidos (1.098), foram considerados válidos 1.085 questionários (98,8%). Predominou a faixa etária de 30 a 34 anos (35,3%), 92,8% das mulheres eram casadas/ou com companheiro e 40,9% eram graduadas. No início da gestação, 79,5% relataram preferência pelo parto normal. Outros estudos brasileiros corroboram com esta preferência inicial.3,4 No final da gestação, a porcentagem de mulheres que preferiam o parto normal subiu para 84,1%, no entanto no estudo Nascer no Brasil3 esse índice caiu para 42% e outras 25% ainda não haviam se decidido. A preferência pela cesárea aumentou nos últimos anos e isso se deve a história reprodutiva das mulheres e o atendimento ao parto, onde a maioria das parturientes com cesariana anterior e/ou do setor privado fazem essa opção.3 Porém neste estudo, a maioria desejava ter o parto normal no início e no final da gestação. O número recomendado pela OMS2 está longe de ser atingido se comparado ao que foi verificado, pois 41,8% dos partos foram cesárea. Este resultado também é reproduzido em demais estudos analisados no Brasil, onde o número de cesáreas chegou a 51,5%3 e 31%4. Acredita-se que o aumento das cesarianas é decorrente do desejo das mulheres, todavia a porcentagem de mulheres que preferiam o procedimento cirúrgico no início da gravidez (13,1%) foi três vezes menor do que o número de cesáreas realizadas. Também foi verificado que, mesmo com taxas elevadas de cesáreas, após o parto, a maioria das mulheres ainda preferia o normal (82,4%). Apesar da preferência das mulheres ser por um parto normal do início ao fim da gestação e mesmo após o parto, a cesárea ainda tem sido a via de nascimento prevalente, sugerindo que o desejo da maioria das mulheres não tem sido respeitado. É importante que as mulheres tenham conhecimento suficiente para se sentirem seguras e empoderadas para que sua decisão seja respeitada. No mais, a equipe médica deve respeitar a escolha da gestante e fazer as indicações conforme evidências científicas.