FLEBITE EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA
Introdução: A Flebite é um dos indicadores que avalia o qualidade na assitência ao paciente, com impacto significativo dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva, podendo prolongar o tempo de permanência, aumentar custos, e causar complicações indesejadas. Objetivo: Caracterizar os pacientes que desenvolveram flebite em uma UTI clínica cardiológica. Método: Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo que avaliou os casos de flebites em uma UTI Clínica no período de Janeiro de 2013 e Junho 2015. Os dados foram coletados a partir do instrumento institucional. Os dados foram tabulados em planilha no programa Excel e analisados no programa estatístico SPSS versão 22.0. Resultados: Durante o período de avaliação foram analisados 104 casos de flebite na UTIC. A idade média foi de 65 + 16 anos, sexo masculino (72,8%), sendo as drogas vasoativas e a amiodarona as drogas mais utilizadas. Na maioria dos pacientes (51%) foi utilizado para a infusão das drogas o cateter sobre agulha 22G. O tempo de permanência do cateter foi de 24 (1-72) horas. Em 61,4% dos casos o local de punção escolhido foi o antebraço. Em relação à gravidade, foram classificadas de acordo com a Infusion Nursing Society (INS) , sendo a maioria classificada Grau I. As enfermeiras da unidade estabeleceram como conduta a aplicação de compressa fria (17,7%) ou placa de hidrogel (78,8%). Comparando-se as duas estratégias, não observamos diferença significante em relação à duração do tratamento, sendo a média 2,86 + 0,59 dias no grupo tratado com o hidrogel e 2,0 + 0,2 dias no grupo tratado com compressa fria (p=0,389). Discussão: Foi observado que faixa etária apresenta-se como fator de risco intrínseco do paciente , outro fator foi o uso de bombas de infusão, provavelmente associado à infusão de drogas vasoativas , inseguras na administração em veias periféricas, ampliando as chances de complicações. Em nosso estudo a maioria dos casos ocorreram em dispositivos de menores calibres (22G), diferentemente de outros autores, não foram observadas diferenças significativas referente ao calibre e índice de flebites . Conclusão: O presente trabalho demonstrou que na UTI Clínica os casos de flebites foram predominantemente classificadas como grau I, em homens e idosos, em uso de drogas vasoativas com dispositivos intravenosos de menor calibre, e o principal local de escolha da punção foi o antebraço. Após instalada a flebite, a maioria dos enfermeiros do setor optaram pela terapêutica aplicando placas de hidrogel. Não foram encontradas relevâncias estatisticamente comprovadas, o que mostra a necessidade de maiores estudos sobre o tema, porém ressalta-se o diagnóstico precoce e observação dos enfermeiros da unidade, permitindo uma terapêutica precoce, minimizando desconforto ao paciente e possível prolongamento de internação.