APLICAÇÃO DE CHECKLIST CIRÚRGICO E INDICADORES DE QUALIDADE
Introdução: Complicações relacionadas aos procedimentos cirúrgicos são frequentes e representam um problema de saúde na atualidade. Objetivo: Utilizar um checklist validado e avaliar indicadores de qualidade. Método: Estudo quantitativo, prospectivo, realizado num hospital público universitário. Aprovado pelo comitê de ética em pesquisa pelo registro CAAE: 09148812.6.0000.5404. Resultados: Compuseram a amostra 76 pacientes. Destes, 37(49%) do grupo controle e 39(51%) do grupo experimento. A incidência de infecção de sítio foi de 16%(12), sendo 8(67%) pacientes do grupo controle e 4(33%) do experimento. Dos 13 indicadores propostos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, foram avaliados 11. Destes, os três indicadores de estrutura, sete dos nove de processo e o indicador de resultado. Na análise dos dados, após ajuste do modelo multivariado, apenas as variáveis banho pré-operatório (p=0,02) e glicemia menor que 180 mg/dl no término do procedimento (p=0,01) apresentaram-se estatisticamente significativos para a ocorrência de infecção. Discussão: A utilização do checklist como estratégia para além de operar o paciente certo, no local certo e procedimento certo, conforme proposto pela OMS, prevenir a infecção de sítio cirúrgico, demonstrou que apesar de não ter reduzido de maneira estatisticamente significante o número de indivíduos que apresentaram o desfecho ISC, a redução da taxa de ocorrência de ISC entre os grupos, apresenta-se significante para o contexto clínico do paciente por ser esta a complicação mais frequente no paciente operado. Quando comparados os grupos controle e experimento, houve melhoria no indicador de resultado, taxa de incidência de infecção, na amostra do estudo evidenciando que o instrumento pode ter alertado as equipes quando a medidas simples e rotineiras que são momentos importantes para a prevenção de ISC, corroborando a literatura que descreve o uso de checklist como uma importante ferramenta de melhoria dos indicadores de resultado do processo de assistência ao paciente cirúrgico. A taxa de ISC do estudo foi de 16%, o que apesar de corroborar com achados de estudos nacionais, é alta quando comparada ao preconizado pela literatura internacional, 0,4 a 10%. Evidencia-se também a necessidade de acompanhamento dos pacientes no pós-alta, pois se fosse considerado apenas os registros da CCIH a taxa de ISC seria de 6%, apresentando uma subnotificação de 62,5% das ocorrências pelo sistema atual de registro. Conclusão: A utilização do checklist na amostra do estudo, resultou em melhoria do indicador de resultado entre os grupos controle e experimento. Os indicadores de processo investigados propõem que a utilização do checklist como ferramenta para auxiliar as equipes na monitoração da qualidade pode resultar em melhoria na assistência ao paciente cirúrgico. Acompanhar indicadores de qualidade é uma estratégia de avaliação da assistência prestada ao paciente cirúrgico.