Migração e Epidemias: entre história, saúde e covid-19

Vol. 22, 2022 - 195163
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Resumo

Este trabalho surge a partir da mobilização causada pela pandemia de covid-19 e a discriminação contra asiáticos. Entendendo tal pandemia como um marco civilizatório, busco refletir sobre o primeiro grande contágio mundial do século XXI, a fim de evitar a ausência de estudos, como ocorrido na pandemia de 1918 e 1919. Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva sobre as problemáticas histórias da migração frente à epidemias. A partir da metodologia bibliográfica, me debruço em materiais que retratam o assunto em livros, revistas e jornais ao redor do mundo e em distintos espaços temporais. As perseguições e culpabilização de crises econômicas, políticas e sanitárias são direcionadas às minorias representativas, também na figura do migrante, como bode expiatório, saturando tensões sociais já estabelecidas. Há registros de diversos contágios culpabilizados e justificados pela presença de diferentes nacionalidades em determinados territórios. No Brasil, a percepção em relação à doença e ao estrangeiro ganha força com a lógica racial imposta na estrutura social e política, como legado dos movimentos eugênicos, racistas e xenófobos do século XX no país. Contudo, é notável que a pobreza, a fome e a desinformação desempenham papel fundamental na propagação de uma doença em surto, epidemia, pandemia ou endemia. Dessa forma, apresentar a única forma de conter determinada doença pelo controle de trânsito de determinadas populações torna-se ineficiente, além de discriminatório.

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  • 07. População e História