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Introdução: Há impactos da mudança de vida no cenário global da pandemia, refletidos na saúde mental, na imprevisibilidade de rotinas cotidianas, nas relações interpessoais, no uso de tecnologias para os acessos à rede de saúde e de apoio terapêutico. Estudantes universitários representam uma população em fase de vida com perspectivas de trabalho, profissão, desenvolvimento pessoal, com demandas pessoais, familiares, culturais, econômicas significativamente diversas. É reconhecida na literatura mundial, em distintos contextos universitários (ZHAI; DU, 2020), os efeitos das restrições pela pandemia, com adaptações para a aprendizagem técnico-científica pelo ensino remoto (OLIVEIRA et al, 2021). Reações como estresse, ansiedade, depressão, implicam danos e riscos para a saúde mental de estudantes universitários (MAIA; DIAS, 2020), assim como, enfatizam necessidade de aprender a mobilizar estratégias de enfrentamento (LAI et al, 2020). No curso de graduação em enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina, interlocuções discente-docente oportunizam ações de promoção da saúde mental durante a transição das atividades remotas para atividades híbridas, em campo de práticas, através de experiências dialógicas, crítico-reflexivas nas próprias disciplinas curriculares. Objetivo: Apresentar uma crítica reflexiva da experiência de aprendizagem sobre abordagens de trabalho com grupos em saúde, como oportunidade de prática de promoção da saúde mental de estudantes universitários. Método: Reflexão crítica que parte da experiência relatada por discentes de enfermagem, em atividades teórica e teórico-prática, no corrente ano de 2021, ligadas à disciplina curricular eixo V, o Cuidado no Processo de Viver Humano – Atenção Básica e Saúde Mental, sétimo período do curso e que dispõe de temática para fundamentos e abordagens de trabalho com grupos em saúde. As atividades teórico-práticas presenciais acontecem na rede de saúde municipal de Florianópolis, centros de saúde (Estratégia de Saúde da Família) e nos centros de atenção psicossocial adulto, álcool e drogas, infanto-juvenil, retomadas no presente semestre na pandemia. Os estudantes perpassam as atividades teóricas, conduzidas por um docente responsável em sala de aula virtual durante a pandemia. Sobre fundamentos do trabalho com grupo privilegia-se oficinas terapêuticas em saúde mental, grupos operativos, grupos de educação e de promoção da saúde, terapia comunitária integrativa. Nas práticas de campo os estudantes são subdivididos em grupos menores, lotados para atuar em centros de saúde em distritos sanitários da Ilha e nos quatro CAPS de Florianópolis, acompanhados por um docente responsável em cada local. Resultados: Os estudantes universitários propuseram um grupo de saúde mental, usando-se da terapia comunitária integrativa. O planejamento foi elaborado com parceria da equipe de saúde de um centro de saúde de Florianópolis, e a divulgação nas mídias sociais do serviço. A proposta é de oferta remota, com plataforma pelo Google Meet, respeitando-se a normativa da secretaria de saúde que confere autonomia às equipes em decidirem pela retomada das atividades coletivas (grupos terapêuticos), com precauções para a modalidade presencial. Em um dos encontros de grupo online, somente na presença dos universitários e da docente responsável, oportunizou-se o exercício de condução, mediação do grupo, a partir da ansiedade como tema comum. A partir das habilidades de escuta e de comunicação terapêutica, os universitários puderam dialogar sobre os fatores que lhes causava ansiedade, os sinais físicos e emocionais reconhecidos, os alertas identificados para autocuidado, as dificuldades encontradas nas atividades discentes para enfrentamento, as alternativas pessoais e terapêuticas acessadas para amenizar o estresse e para o autoconhecimento. O contexto familiar, do ambiente doméstico, laboral e da própria universidade influenciam no comportamento ansioso. A ansiedade se manifesta por dificuldades em concluir tarefas, dispersão, cansaço físico, insônia, cefaleia, pensamento negativo e mente acelerada, sobreposição de atividades, choro reativo, isolamento ou apatia. Também reconhecem mudanças positivas ao longo da trajetória universitária que expressa potencialidades no enfrentamento dos estressores para a ansiedade como: autoconfiança diante dos desafios de aprendizagem, perspectiva de conclusão de curso e necessidade de segurança econômica, estratégias alternativas de estudo, parcerias consolidadas na turma, prática de exercício físicos regulares, psicoterapia, apoio familiar, qualidade na alimentação, respeito do tempo para lazer e descanso. Conclusão: a experiência dialógica no processo de aprendizagem de grupos para a promoção da saúde mental revelou críticas sobre as estratégias para ações coletivas remotas ao alcance comunitário, reflexões sobre a temática da ansiedade no cenário universitário e enfrentamento individual para a melhoria da saúde mental na pandemia. A didática de oportunizar a mediação da estratégia grupal entre os colegas universitários oportunizou desenvolver competência de cuidado coletivo.
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