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Apresentação/Introdução O atual cenário do sistema de saúde é marcado por desafios no processo de efetivação da Política Nacional de Atenção Básica, enquanto política de emancipação para integralidade do cuidado em saúde. Neste sentido, a Atenção Básica à Saúde (ABS) tem um papel fundamental na gestão e coordenação do cuidado integral nas redes de atenção à saúde Objetivos Construir uma matriz de competências interprofissionais e a partir de então, desenvolver um instrumento de avaliação de competências interprofissionais para a gestão do cuidado no âmbito da ABS, alicerçado uma perspectiva de avaliação construtivista-responsiva proposto por Guba e Lincoln (2011). Metodologia Trata-se de um estudo exploratório, descritivo e metodológico. Deste modo, nesta pesquisa foi organizada nas seguintes etapas metodológicas: fundamentação do constructo por meio de uma ampla Revisão Sistemática, Metassíntese dos estudos incluídos na revisão, Construção da Matriz de Competências, Validação da Matriz de Competências e Construção do Instrumento de Avaliação. Para subsidiar o constructo, a Revisão Sistemática foi realizada nas seguintes bases de dados: MEDLINE/PUBMED, WEB OF SCIENCE, CINAHL, SCOPUS, Cochrane Library, Biblioteca Virtual da Saúde, Scielo, PsycInfo, ERIC e Google Scholar. A metassíntese da Revisão sistemática foi feita por análise temática com suporte do software NVIVO 11. Esta metassíntese possibilitou a construção do perfil de competência interprofissionais, que foi validado de forma participativa com trabalhadores da ABS por meio da técnica Delphi e análise por meio de índice de Validação de Conteúdo (IVC). Assim, foi definido o constructo e iniciou-se a decomposição dos itens, situações problema e ilustrações para a elaboração do Instrumento de Avaliação. O instrumento de avaliação teve como referencial teórico-metodológico a avaliação construtivista-responsiva, de modo que apresenta situações problema e ilustrações que permitem o mergulho em um cenário, de modo que sua aplicação possibilita a abertura de um círculo hermenêutico-dialético que permite o desenvolvimento de uma avaliação de quarta geração. O estudo tem parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisas e apresenta a etapa de revisão sistemática protocolada na PROSPERO. Resultados e discussão A amostra final da Revisão Sistemática correspondeu a 115 artigos/registros. A metassíntese desses artigos/registros possibilitou a construção de uma matriz com 52 competências interprofissionais para a gestão do cuidado. As competências interprofissionais foram organizadas nos seguintes domínios: cuidado individual, cuidado familiar/territorial, atuação profissional, impacto organizacional, efeitos de rede, efeitos políticos. As competências interprofissionais sistematizadas compreendem a centralidade do usuário em uma perspectiva transversal a todos os domínios. O domínio ‘cuidado individual’ agrega competências interprofissionais ancoradas no cuidado centrado no usuário e no reconhecimento da necessidade de desenvolvimento de ações e entregas coerentes com a singularidade do sujeito. O domínio ‘familiar/territorial’, reconhece a pluralidade da família e seus elementos simbólicos e contextuais. Os domínios ‘atuação profissional’ e ‘impacto organizacional’ refletem o encontro do pensar, sentir e agir na fronteira interprofissional, por meio de uma comunicação efetiva, dialogicidade e do sentimento de coletividade, atravessadas pela afetividade, respeito, confiança e resiliência. O domínio ‘efeitos de rede’ reforça a necessidade do compartilhamento do cuidado com outros pontos da Rede de Atenção à Saúde, de modo a possibilitar um cuidado corresponsabilizado, e não somente encaminhamentos, referências e contrarreferências mecânicos. O domínio ‘efeitos políticos’, relaciona-se aos movimentos de defesa e militância por políticas públicas promotoras de emancipação, justiça social e direito à vida, bem como por uma saúde pública e universal, onde os usuários acessem de forma equitativa e qualificada os serviços e ações de saúde ofertados. As competências deste domínio são essenciais, principalmente no atual cenário de negacionismo, disseminação de fake news, desrespeito à vida e postura criminosa do governo Bolsonaro no enfrentamento da Covid-19. O processo de validação das competências aconteceu em duas rodadas, impactando na incorporação de duas competências novas à matriz inicial. A partir do perfil de competências foi construído o instrumento de avaliação alicerçado em uma perspectiva de avaliação construtivista-responsiva, com situações problemas ilustrados para subsidiar a circularidade do processo avaliativo. Conclusões/Considerações finais Foi construído o Instrumento de Avaliação de Competências Interprofissionais para a Gestão do cuidado na ABS com 6 domínios e 52 competências. Esta pesquisa reforça a necessidade de processos avaliativos construtivistas e da mudança no modelo de atenção para uma prática centrado na pessoa, alicerçada em uma perspectiva colaborativa e interprofissional. Contextualização A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) é referência no estado para a formação de profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) e, desde 2014, nós, trabalhadores da instituição, temos nos orientado, mais institucionalmente, pela Educação Permanente em Saúde (EPS) como um referencial ético-político-pedagógico. Embora a EPS seja potente para apoiar práticas educativas no e para o trabalho, questões complexas do mundo do trabalho e da vida aí suscitadas têm nos convocado a buscar outros conceitos, referenciais e estratégias para lidar com o que somos confrontados nos encontros com os alunos-profissionais do SUS-MG. Nós, um coletivo de trabalhadores, temos chamado esse movimento de “jeito ESP de fazer”. Descrição Trata-se de relato de como temos ampliado as interfaces entre a EPS e outros conceitos e referenciais na ESP-MG, em um processo de produção inventiva no âmbito da formação no SUS e para o SUS, operada por encontros entre um coletivo de trabalhadores dessa instituição e outros profissionais do SUS-MG. Chamamos de encontro os espaços de formação que nós produzimos com os profissionais e que nos mobilizam a pensar com eles o trabalho deles e o nosso. Nos diferentes encontros, sobretudo em um cenário de intensificação da precarização do trabalho em saúde, nos vimos diante do desafio de transformar o espaço de formação não apenas em local de ensinar, aprender e problematizar o trabalho e os seus contextos, mas também de cuidar, afetar e ser afetado. Com isso, nos implicamos com outros conceitos e referenciais que nos possibilitam potencializar a circulação dos afetos e a produção de sentidos no e para o trabalho no SUS.
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