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Apresentação/Introdução Boa parte das práticas preventivas envolvem solicitar exames preventivos e orientar condutas preventivas aos pacientes e cidadãos, e exortá-los a segui-las. Com a grande importância das condições crônicas e a proliferação de tecnologias preventivas, gerou-se um apelo emocional e ético para prevenir, que se tornou obrigação moral, reforçada pelo discurso da promoção da saúde. Todavia, a proliferação de ações clínicas preventivas pouco criteriosas pode gerar mais danos que benefícios e produzir iniquidades, ao desviar a atenção dos profissionais, especialmente na atenção primária à saúde (APS), mas não só, para os mais jovens, saudáveis e ricos, dificultando o acesso/tempo dedicado aos mais doentes, idosos e pobres, submetidos à precariedade e ao subdimensionamento da APS. Cuidados preventivos são um dos mais frequentes motivos de consulta na APS e há um excesso de práticas preventivas pouco criteriosas sendo realizado, que produz grande iatrogenia evitável e medicalização desnecessária, reforçando o imperialismo sanitário ou healthism (tendências, crenças, valores e práticas que enfatizam obrigações das pessoas buscarem a saúde e evitarem doenças ou riscos), associado à ‘medicina de vigilância’. Por isso, embora a prevenção seja consensualmente relevante, hoje não é justificável a repetição genérica e otimista dessa mensagem. Este trabalho nasceu da necessidade de sistematização de um conjunto mínimo de conceitos, ideias e critérios para consideração de atividades preventivas em assintomáticos, como subsídio para a prática da prevenção quaternária (P4) (definida como ação de proteger pessoas de danos iatrogênicos e sobremedicalização e sugerir-lhes intervenções eticamente aceitáveis), que é importante e necessária na prevenção. Objetivos Apresentar uma articulação de conceitos, ideias e critérios como um roteiro mínimo indutor de boas práticas a ser manejado pelos profissionais (especialmente da atenção primária à saúde) e gestores na consideração de medidas preventivas. Metodologia Fundamentamos a articulação de conceitos clássicos já usados e novos, mas dispersos, envolvendo saberes epidemiológicos, bioéticos, sociológicos e antropológicos. São articulados os conceitos de prevenção primária, secundária e quaternária; prevenção redutiva e aditiva, estratégias preventivas de alto risco e populacional (de Geoffrey Rose); princípio da precaução; medicina baseada em evidências e sua crise contemporânea; DOE (disease oriented evidence) e POEM (Patient Oriented Evidence that Matters); promoção da saúde, centramento no paciente, abordagem ampliada e decisão compartilhada. Tal articulação é apresentada em formato de um ‘algoritmo conceitual’ para que facilitar seu domínio (com objetivo pedagógico) e subsidiar decisões e recomendações clínicas e sanitárias sobre prevenção primária e secundária mais criteriosas e menos iatrogênicas e medicalizantes. Resultados e discussão Síntese do “algoritmo”: a) Reconheça situações de prevenção primária e secundária, por vezes misturadas com clinica das doenças, e, nelas, valorize mais a não-maleficência - valorização consensual na literatura, mas pouco praticada. b) Diferencie prevenção redutiva (conforme Geoffrey Rose), e prefira geralmente a primeira. c) Evite, se possível, a abordagem de alto risco e prefira abordagem populacional (segundo Geoffrey Rose). d) Na prevenção aditiva, tenha atitude cética, cientificista e antiintervencionista, cedendo apenas ao balanço danos x benefícios amplamente positivo, derivado de evidências tipo POEM robustas, atualizadas e consensuais sobre desfechos finais em estudos de intervenção (e observacionais, se for medida já em uso) de alta qualidade. e) Avalie criticamente as evidências (medicina baseada em evidências), se necessário, para além das diretrizes estabelecidas, devido aos comuns conflitos de interesses, viéses e manipulações. f) Em caso de dúvida quanto ao balanço benefícios-danos de uma ação preventiva adtiviva, se houver danos signifcativos, contraindique-a, aplicando o princípio da precaução. g) Na clínica, centre o cuidado na pessoa, fomente sua participação, informe danos e benefícios e compartilhe a decisão em abordagem clínica ampliada. Conclusões/Considerações finais Sistematizamos um conjunto de conceitos e critérios articulados a serem usados por clínicos e gestores na prevenção primária e secundária. Ele inova ao defender a introdução de um radical estranhamento e desconfiança quanto às medidas preventivas com grande potencial de danos (aditivas) cujo balanço benefícios-danos é duvidoso, indutores de inédito rigor e precaução para com elas. A principal novidade é a defesa da aplicação do princípio da precaução aos casos de prevenção aditiva duvidosos, pouco discutida e praticada, bem como a defesa de um cientificismo pragmático (voltado para resultados) na prevenção aditiva ancorado eticamente. A ausência dessa aplicação tem facilitado a permanência do uso de práticas preventivas duvidosas, iatrogênicas, caras e geradoras de iniquidades. Apresentação/Introdução Este é um relato de pesquisa sobre o projeto homônimo de Mestrado em Psicologia Clínica na Universidade de São Paulo, em andamento. A investigação parte da noção de que a escravização desenvolvida no território brasileiro pelos colonizadores europeus, com a subsequente manipulação ideológica e silenciamento dessa história, culminou no surgimento de um tipo particular e específico de racismo. As especificidades do racismo brasileiro se demonstram a partir da complexidade de sua organização e de seu caráter implícito, encoberto e estrutural, que efetivam violência e segregação a corpos negros de maneira silenciada, sistêmica e difundida em todas as facetas da sociedade. Nessa seara, autores têm evidenciado o atravessamento do racismo estrutural na psicanálise, destacando, dentre outros aspectos, a evidente falta de analistas e analisandos negros. Frente a isso propomos uma pesquisa que protagonize a experiência de sujeitos negros que têm sustentado e a produzido a psicanálise em meio ao racismo que a integra. Objetivos Buscamos investigar os efeitos do racismo estrutural brasileiro na vida e no percurso psicanalítico de analistas negros, assim como suas implicações para a própria psicanálise. Assim sendo, objetivamos explorar como as questões sócio-raciais atravessam a história de vida, a formação e a prática de psicanalistas negros e tensionar, a partir desses atravessamentos, possíveis transformações necessárias à psicanálise para enfrentamento e resistência política ao racismo.
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