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Apresentação/Introdução Esta pesquisa investigou as relações entre Homens e Saúde Mental, a partir da perspectiva de Gênero e dos Estudos sobre Masculinidades, analisando as expressões do sofrimento mental por homens usuários de serviços de atenção de psicossocial Objetivos Analisar as relações entre homens, masculinidades e sofrimento mental no contexto da rede de atenção psicossocial. Metodologia Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa em dois CAPS de Brasília-DF, com base em observações participantes em atividades de rotina dos serviços, entre 2017 e 2019, e 16 entrevistas semiestruturadas com usuários homens, selecionados durante as atividades observadas. Os dados foram categorizados em 4 eixos: exercício das masculinidades e sofrimentos mentais; o cuidado ofertado aos homens na Rede de Atenção Psicossocial; Uso de álcool e masculinidades, comportamentos violentos, saúde mental e masculinidades. Resultados e discussão Os homens entrevistados são majoritariamente negros, pobres, desempregados, migrantes, com baixa escolaridade, que vivenciam uma sobreposição de fatores de vulnerabilidade agravada pela vivência de transtornos mentais ou do uso prejudicial de substâncias psicoativas. Os achados revelaram que as expectativas não realizadas sobre o que deve ser um “homem de verdade” interferem negativamente nas condições de saúde mental, levando os entrevistados a sentirem-se alijados da condição de homem, especialmente, por não trabalharem e não proverem a família. É possível asseverar que em um mundo marcado pelo domínio do capital, o valor de um homem é confundido pelo seu poder de compra e a falta de emprego estável é um abalo à identidade masculina, levando os entrevistados a assumirem comportamentos de risco para compensarem o distanciamento da Masculinidade Hegemônica, como o uso abusivo de álcool. Destaca-se que as opressões por classe e raça se interseccionam com os sofrimentos mentais de masculinidades subalternas, estigmatizadas pela “doença mental” e pelo uso abusivo de álcool. A expressão de emoções e sofrimentos representa um afastamento de um modelo idealizado do que é ser homem, relacionado ao sentimento de invulnerabilidade. Por isso, emocionar-se é interpretado, pelos usuários dos CAPS, como coisa de “fresco”, “fraco” ou um “fracasso”, o que dificulta o acesso e a adesão dos homens a cuidados em saúde mental. Observou-se que esse silenciamento das emoções opera por meio de mecanismos de defesa relacionados à negação, fuga, projeção e pela “passagem ao ato”, especialmente pela expressão da raiva, emoção legitimada pela Masculinidade Hegemônica. Observou-se ainda a importante função psicodinâmica das bebidas alcoólicas no psiquismo dos homens e suas relações com a construção sociocultural das masculinidades, identificando-se o uso da “cachaça” como refúgio ou meio de obter coragem para expressar emoções ou comportamentos para restabelecer posições de poder nas relações, por meio de atos violentos, principalmente, contra as mulheres. Conclusões/Considerações finais Nos CAPS, foi possível identificar práticas de promoção à saúde mental masculina adequadas aos homens, como os Grupo terapêuticos de Homens, que permitem a problematização de padrões hegemônicos do que é “ser homem” e representam uma possibilidade de inclusão da perspectiva de gênero nos serviços de saúde mental. Avalia-se que os CAPS, ao reconhecerem questões de gênero envolvidas na experiência do sofrimento psíquico, podem contribuir para a desconstrução da imagem idealizada da masculinidade hegemônica, possibilitando a expressão das emoções e de novos modos de ser homem. Constata-se também que a perspectiva interseccional colabora na compreensão multidimensional das consequências da vivência de transtornos mentais sobre o exercício da masculinidade, levando-se em consideração também os marcadores sociais de raça e classe. Apresentação/Introdução O neoliberalismo é uma teoria econômica associada à mercantilização da vida e financeirização da economia. Essa forma de política envolve diretamente a saúde financeira da população, com a limitação dos gastos sociais ocorrem perdas na saúde física e mental (1). Na última década, o Brasil lidou com cortes no financiamento público de programas sociais básicos, com congelamento e redução em investimentos fundamentais como saúde e educação, devido a políticas de austeridade (2, 3). Essas medidas afetaram o Sistema Único de Saúde, com mudança da destinação de recursos e desestruturação das equipes de saúde, ações que diminuem a resolutividade do sistema e prejudicam o acesso a serviços de saúde e sua qualidade (3, 4). No âmbito econômico, tais políticas se traduziram em maior desemprego, precarização do trabalho e aumento da desigualdade de renda, semelhante ao observado em outras conjunturas (5, 6). O aumento do estresse, sentimentos de vergonha, perda de estrutura e identidade e percepção de falta de controle frente a dificuldades financeiras e desemprego aumentam o risco de adoecimento mental e demandam políticas sociais e coletivas apropriadas para sua mitigação, para além do cuidado individual (7, 8). A carga de distúrbios afetivos, como ansiedade e depressão, tem crescido globalmente. Desde 2016, o Brasil enfrenta crescimento nas taxas de desemprego e desigualdade de renda, além de redução de investimentos governamentais em saúde devido a políticas de austeridade, o que potencialmente impactou na saúde mental da população, especialmente em regiões mais vulneráveis, como a Amazônia brasileira. Objetivos Avaliar os efeitos precoces das políticas de austeridade no sofrimento mental de adultos residentes em Manaus, por meio da análise das mudanças na prevalência de sintomas graves de ansiedade e depressão entre 2015 e 2019.
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