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RELIGIOSIDADE E PRECONCEITO: As duas faces da mesma moeda

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A constituição étnica brasileira historicamente é marcada por conflito, o biótipo é tido por muitos com estranhamento, percebemos a negação do direito a cidadania numa amplitude nem sempre compreendida. No que diz respeito aos cultos religiosos de matriz africana a marginalização recebe destaque nos vários espaços. Reconhecer a historicidade desse processo é atribuir significações e intencionalidades de uma parcela social, que maximiza a cultura europeia nos diversos espaços sociais. Tal contradição propicia contextos sociais que reprime a expressão da negritude brasileira, mistificando e conceituando a cultura afro-brasileira em estereótipos. Analisar a religiosidade de matriz africana é apreender as formas de manutenção do legado cultural africano, presente nos cultos religiosos de origem africana. O presente trabalho intenta apresentar os fatores que contribuíram para a implementação dos ritos religiosos de matriz africana e suas contribuições para a cultura brasileira. Porém, compreender as manifestações como meios para unificar e fortalecer o movimento negro é fundamentar as discussões em sua totalidade histórica. Compreendemos que as manifestações religiosas estão carregadas de tabus, responsáveis por atitudes preconceituosas dos sujeitos em suas subjetividades. Nesse prisma as instituições família e escola desempenham papel fundamental no conhecimento, é relevante propor debates sobre a temática. A herança religiosa de viés católico, de cultura ocidental, "presenteia" e incorpora ideologicamente o ethos social a não aceitação ou intolerância aos cultos de matriz africana. Na visão do pesquisador, Darci Ribeiro tal condição se deve as deformações culturais atribuídas aos negros, que no processo de aculturação e exploração pelo trabalho no Brasil, formatou conceitos sociais de uma cultura ilegítima e subalterna. Os modelos societários “contraditórios” propiciaram contextos sociais de “repulsão” à negritude brasileira, mistificando o estereótipo africano, responsável pela formação étnica brasileira.