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Relações Étnico-raciais e Infância: Processos de Construção de Identidade na Educação Infantil

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O presente trabalho apresenta parte dos resultados da pesquisa de doutorado que traçou como objetivo analisar em que medida a implementação de políticas públicas educacionais, baseadas no artigo 26A da LDB, se manifesta no cotidiano de um Centro Municipal de Educação Infantil em Curitiba - CMEI e interfere nos processos de construção da identidade étnico-racial de crianças negras e brancas que frequentam a instituição educativa. Os sujeitos privilegiados foram crianças de 3 a 5 anos, que frequentavam as turmas de Maternal III e Pré I, bem como os professores e educadores que atuavam na instituição no ano de 2012. Como metodologia, optou-se por desenvolver uma pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, que teve a observação como principal instrumento de coleta de dados, além da aplicação de questionário para os docentes. Como resultado da pesquisa destaca-se que: a organização dos espaços e ambientes é ainda muito pautada em um ideário que valoriza a “branquidade normativa”; o espaço não dá visibilidade às características da população negra, pois oferece um ambiente social com alternativas amplas de “outro generalizado” para as crianças brancas e alternativas limitadas ao padrão branco para as crianças negras; os documentos mandatórios voltados à questão étnico-racial são, em certa medida, conhecidos teoricamente pelos profissionais que organizavam o trabalho pedagógico na instituição. No entanto, esses conhecimentos, embora possam ser promotores de práticas mais justas e igualitárias em relação às crianças negras e brancas, ainda não interferiram no cotidiano da instituição de educação infantil a ponto de motivar a resistência ao preconceito e avanços significativos em relação à construção da identidade étnico-racial. Por fim, reitera-se a necessidade de formação continuada sobre a educação das relações étnico-raciais para os professores e educadores da educação infantil.