Protagonismo social e a conquista do direito à educação superior
É amplamente reconhecida a dívida social brasileira para com os descendentes de africanos que habitam este país. Foi, porém, no limiar do século XXI no Brasil que houve uma intensificação dos debates que culminaram com o início da gestação de políticas públicas destinadas à reparação dos prejuízos decorrentes dos anos de escravidão, não superados pela abolição inconclusa de 1888. Neste contexto se destaca a adoção das políticas de ação afirmativa no ensino superior. Cumpre salientar que este segmento étnico atravessou os séculos reduzidos a posições de menor prestígio e muitas vezes jogados a subalternidade. Apesar das condições adversas, a resistência e a luta sempre foram as suas marcas. Considerando o direito à educação como a garantia de um direito que abriria às portas para outros direitos, o movimento negro desde tempos remotos, pautou o acesso à escolarização formal como uma bandeira de luta histórica. A Frente Negra Brasileira o Teatro Experimental do Negro e Movimento Negro Unificado, entre outros, em contextos distintos, são exemplos a serem destacados. Neste interim, a inclusão das políticas de ação afirmativa na agenda política brasileira nos anos 2000 resulta desta luta histórica. Assim, o trabalho em tela procura demonstrar o papel desempenhado pelo Fórum da Igualdade Racial de Ouro Preto, entidade sem fins lucrativos que a partir do ano de 2004 impôs à Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) a inclusão na sua agenda da adoção das cotas para negros nos seus cursos de graduação. Essa entidade foi o principal protagonista da política adotada pela UFOP em 2008. Neste trabalho reconstruímos a trajetória que culminou na aprovação da Política de Ação Afirmativa da UFOP que, antes da aprovação da Lei de Cotas, contribuiu para o aumento da presença de negros nesta instituição secular.