Paradigmas educacionais, contribuições de uma educação afrocentrica.
Este estudo se refere às contribuições educacionais de uma perspectiva afrocêntrica, conforme discutida por Bame Nsamenang. O Brasil tem se engajado na discussão das desigualdades sociais, porém ainda é preciso avançar na discussão sobre relações raciais, como preconiza a Lei 10.639/03, sendo que a abordagem da filosofia africana pode contribuir para esse processo. O autor nos mostra que a educação aborígine se diferencia da ocidental pela forma que aborda as experiências pessoais, a interação familiar e de colegas mais velhos na escola, enquanto a educaçao ocidental usa o principio de que a criança e uma tabula rasa, na qual os professores devem construir usando exercícios específicos e produtivos, excluindo o conhecimento que elas já adquiriram em um momento anterior a educação formal, ou seja, algo mais tecnicista. Consequentemente uma educação pautada por uma perspectiva afrocentrica utilizaria muito mais da vida cotidiana do aluno, seu sistema econômico, as interações em sua família, criando responsabilidades nessa criança, tanto perante sua família como também a si mesmo e suas tarefas. Gerando uma criança socialmente engajada, ligada a sua historia, ensinada em questões praticas que estão arraigadas a sua origem e a forma a qual ela vive, diminuindo assim a abstração tecnicista utilizada nas escolas ocidentais. Crianças criadas em uma perspectiva afrocentrica tem uma tendência a estarem engajadas em questões sociais ligadas a sua região, e criar uma posição de destaque na tomada de decisões em sua família, repercutindo em agentes de transformação social, intensamente responsáveis por suas atitudes e por tudo que ocorre a volta delas. Conclui-se que há uma grande diferença estrutural, psicológica e social entre a educação ocidental e a aborígine africana, cada uma estruturando uma criança de maneiras diferentes no que se refere ao seu posicionamento com relação ao futuro e suas atitudes perante a sociedade.