34451

JUVENTUDE NEGRA NA EJA E OS DESAFIOS DA POLÍTICA PÚBLICA

Favoritar este trabalho

JUVENTUDE NEGRA NA EJA E OS DESAFIOS DA POLÍTICA PÚBLICA

Joana Célia dos Passos - UFSC

O presente estudo teve como finalidade analisar a constituição da oferta de EJA na Rede Municipal de Ensino de Florianópolis, na perspectiva de identificar os impactos e alcances desta modalidade de ensino para a juventude negra. A problemática da pesquisa inscreve-se em um contexto em que emergem iniciativas de políticas de educação, focalizadas para a população negra. Nossa hipótese ancorou-se na compreensão de que a política de EJA embora declare sua centralidade nos sujeitos, não integra o reconhecimento étnico-racial e geracional como dimensões valorizadas nos processos e nos instrumentos que concretizam esta oferta educacional. Como procedimentos metodológicos, foram realizadas análise documental, observações de práticas do cotidiano e entrevistas com jovens e profissionais da EJA. Para contribuir com a análise da referida problemática, dialogou-se com diferentes campos: História, Sociologia e Educação, mas, buscou-se, prioritariamente, interlocução com estudiosos da Educação de Jovens e Adultos (Di Pierro, Haddad, Machado, Arroyo, Dayrell, Carrano, Charlot) e com estudiosos das relações raciais no Brasil (Fonseca, Gomes, Gonçalves e Silva, Guimarães). Este estudo revela que a complexidade do fazer pedagógico na EJA se transforma em desafio quando as expectativas dos profissionais, em relação aos jovens, estão permeadas de negatividades sobre “as juventudes”, em maior proporção quando os jovens são negros. A lógica de funcionamento da EJA ainda não integra a educação das relações étnico-raciais como elemento estruturante da formação humana e do currículo que desenvolve, contribuindo, assim, para a reprodução da desigualdade e do racismo. Este estudo reafirma a necessária superação de uma concepção “universalista” na EJA em favorecimento de uma abordagem que agregue tanto a dimensão da singularidade (pertencimento étnico-racial, reconhecimento) como a dimensão da igualdade (redistribuição), para que a EJA se torne de fato emancipatória.

Palavras-chaves: Educação de Jovens e Adultos; jovens negros; relações raciais