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JOVENS MARCADAS: CABELO ÍCONE DA DIFERENÇA RACIAL

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O cabelo por si sozinho não diz muita coisa. Já a representação que se constrói nas relações sociais acerca dele, essa, sim, é síntese de múltiplas discriminações. De fato, em nossa sociedade, a representação de que, o cabelo bom é o cabelo liso, foi ampliada pelas novelas, nas letras das músicas e, por fim, em nossas relações sociais. Na verdade, a difusão dessa representação sobre o cabelo é uma versão estética do preconceito racial. Pautando nessa afirmação buscou-se responder a seguinte indagação: quais são as representações dos adolescentes brancos acerca do cabelo das jovens negras? Eles demonstram atitudes preconceituosas? Através da realização de entrevistas com adolescentes brancos, podemos concluir que dentre as várias partes do corpo que constituem a aparência corporal, os cabelos são sem dúvida a parte mais visível. Justamente em decorrência dessa visibilidade e das representações negativas, presentes em nossa sociedade, sobre os cabelos ondulados, é que percebemos uma facilidade por parte dos adolescentes brancos em tecerem comentários sobre o cabelo das jovens negras. Como uma particularidade construída social e culturalmente, o tipo de cabelo da jovem negra passa a receber leituras negativas no discurso dos adolescentes brancos. Reforçam, assim, um juízo de valor, ao se referirem aos dois tipos de cabelo: o crespo e o liso. O primeiro é visto como indesejável esteticamente; já o liso, corresponde ao modelo ideal. Percebemos que, além da preferência pelo cabelo liso, o adolescente branco preza que para ser bem vista socialmente, a mulher precisa estar bem vestida e com o cabelo arrumado. Assim, o descuido com o cabelo no que diz respeito à estética corporal gera um processo de exclusão, principalmente em relação às jovens negras.