Infâncias Quilombolas: não ser para ser
Esta pesquisa foi realizada com crianças negras quilombolas no espaço social do Quilombo e da Escola, ambos entendidos como espaços que ocorrem a construção da identidade dessas crianças. O objetivo da pesquisa é analisar como se estabelecem as relações entre professores/as e as crianças negras quilombolas, bem como, as relações entre crianças brancas e negras no interior da Escola.
Também é objetivo desta pesquisa reconhecer manifestações do fenômeno do Auto-ódio desses sujeitos, como tentativas de defesa, conscientes ou não, ao preconceito vivido. A opção metodológica foi a pesquisa qualitativa, porque responde a questões muito singulares, preocupando-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado. A técnica de pesquisa utilizada foi entrevista e baseou-se método clínico-crítico piagetiano.
Assim, através da pesquisa é possível concluir segundo os relatos das crianças negras quilombolas que “todas são bem tratadas’’ “todas são elogiadas”, entretanto, nas falas é possível evidenciar que todas são bem tratadas, mas umas são mais bem tratadas que as outras, “é diferente, mas é elogio também, para as crianças brancas ela [professora] fala que tem “cabelos bonitos, são inteligentes, para nós está ótimo, muito bem”. Também é possível evidenciar que as causas que geram o sentimento de Auto-ódio, vão do preconceito, do racismo, da discriminação, entre outras, a fragilidade identitária, são resultantes de uma conjuntura histórica, social e cultural, portanto, as manifestações desse sentimento são de distintas ordens se dirigindo contra os valores culturais, o grupo, a família, contra religião e contra si mesmos. Mesmo que as conseqüências do sentimento de Auto-ódio se encaminhem para a auto-aniquilação, auto-rejeição, auto-negação, é necessário enfatizar sempre, ainda que, seja visto como um paradoxo, este sentimento guarda em seu âmago chamas de vida, que em meio aos sopros de morte insistem em permanecer, reascendendo-se quando possível.