Identidades Extraviadas: duas maneiras de contar.
IDENTIDADES EXTRAVIADAS: duas maneiras de contar.
Severino Lepê Correia
O objetivo deste trabalho é tornar compreensível a tarefa empreendida pelas mulheres africanas utilizando suas narrativas como instrumento de criação de mais um espaço de articulação para serem ouvidas, além de observar como duas escritoras africanas de nacionalidades diferentes - Nigéria e Moçambique – são consensuais descrevendo a perda das identidades provocada pelas invasões coloniais na África. Buchi Emecheta, através de Ogbanje Ojebeta, em A Menina Escrava, vendida aos 7 anos de idade, pelo seu irmão bailarino a uma mulher rica, traficante de escravas novas, sequioso por dinheiro inglês para financiar sua dança da maioridade e se destacar entre os do seu povo; Paulina Chiziane, através do negro José, mostra a identidade agonizante, em O Alegre Canto da Perdiz. José, para ascender ao estatuto de cidadão, ajoelha-se diante do poder do império português, aprende a nova fala, jura abandonar a “língua bárbara” e se torna um assimilado. Nos dois romances, os pertences simbólicos tradicionais são as primeiras coisas a serem banidas, para que se tornem gente. Será que as duas escritoras estão, com suas histórias, querendo mostrar um pouco de como aconteceu a cisão no ego da África? Estudos sobre colonialismo, cultura e identidades encetados por Edward W. Said e Albert Memmi estão presentes nessa caminhada, ladeados pelo feminino critico de Gayatri Spivak e Inocência da Mata. Como estratégia de comparação do discurso histórico com o discurso literário, visando as construções identitárias, imprescindível se torna a presença de Perrone-Moisés, dado a suas análises de intertextualidade e literatura comparada.
Palavras-Chave: Afro-Literatura, Colonização, Feminismo, Identidade, Psicologia. .
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