GÊNERO, NEGRITUDE E ENSINO DE CIÊNCIAS: PROPOSTAS PARA UMA ARTICULAÇÃO
O Ensino de Ciências parece ainda estar muito distante das discussões que envolvem gênero e negritude. Mesmo com a intensificação de propostas pedagógicas derivadas da lei 10.639/03 e o aumento das discussões e pesquisas, ainda se pensa muito pouco a partir destas temáticas para o Ensino de Química. A razão para a escassez da produção circulante destes saberes sobre gênero, negritude e ciências, pode ser explicada se considerarmos a formação de professoras e professores, a estrutura curricular e também os posicionamentos políticos de professoras, professores, gestoras e gestores na educação básica. As discussões sobre gênero e ciências na escola, quando existentes, desconsideram o corpo negro e as mulheres negras. Ainda assim, é possível pensar em atividades que, inseridas no contexto escolar, podem contribuir para um ensino comprometido com a diversidade e que seja não-racista e não-sexista a partir da ciência, tão acusada de fomentar preconceitos e invisibilidades. Neste trabalho serão apresentadas propostas de atividades para o ensino básico que articulem o tripé gênero, ensino de química e negritude a partir dos eixos: (i) Química do Cabelo (ii) a Vênus Hotentote e discussões sobre o corpo feminino negro, (iii) pele negra, cuidados e Química e (iv) Invisibilidade de mulheres cientistas negras.