Educação formal e mulheres negras no século XXI
Artigo fruto da pesquisa realizada durante o mestrado, demonstra que o processo da formação de resiliência entre três gerações de mulheres negras é investido culturalmente, e que a vida periodizada acaba por estabelecer relações entre as diferentes faixas etárias, articulando uma dimensão importante para a compreensão das formas de resistência, formação da auto-estima, pertencimento familiar e étnico. Como resultado das análises realizadas e, além do aprofundamento dos conhecimentos sobre as temáticas envolvendo gerações, protagonismo negro e políticas públicas (principalmente na área da educação). A pesquisa permitiu concluir que as famílias passam por um processo de reinvenção em que as gerações femininas assumem seu papel de protagonistas das próprias vidas. São elas a maioria no mercado de trabalho formal e informal, que articulam a queda da fecundidade, que possuem a maior expectativa de vida (mesmo com a dupla e/ou tripla jornada de trabalho) e que na questão da escolaridade, estão superando os homens negros. E, assim, estão mudando o universo feminino negro, antes lembrado, principalmente, pelos baixos salários e escolaridade em relação aos demais brasileiros e brasileiras.