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Doença falciforme em mulheres negras: a subjetividade como processo histórico cultural

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O objetivo do estudo foi conhecer e analisar a história de mulheres negras com doença falciforme e compreender como a subjetividade destas é construída e confrontada a partir dos sentidos subjetivos associados aos marcadores de gênero, raça e classe social. As entrevistas foram exploradas através da análise crítica do discurso. As nove mulheres negras que participaram da pesquisa têm diagnóstico de doença falciforme e são acompanhadas pelo Centro de Referência da Anemia Falciforme do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A partir dos resultados desse estudo entendemos que a doença falciforme se constituiu para as mulheres entrevistadas como importante marcador racial e de classe social, além de potencializar suas construções de gênero. As produções discursivas dessas mulheres revelaram a percepção da descendência negra no significado da doença, ratificando o percurso histórico, social e cultural da população negra nesse país. Os aspectos que ratificam a condição social desfavorável da população negra ainda atuam subjetivamente para as mulheres negras construindo com outros marcadores a história social da doença. Ao mesmo tempo, viver com doença falciforme se constituiu em um processo constante de se sobrepujar à enfermidade, se organizando para transformar o sentido da doença e não se deixar dominar pelas dores da doença. Nesse aspecto, elas construíram movimentos subjetivos que subestimam a intensidade da doença e o impacto desta em suas vidas valendo-se de construtos fortalecidos culturalmente pelo gênero feminino. Ao incorporar tais marcadores elas fortaleceram o auto cuidado como uma dimensão que minimiza o impacto subjetivo da enfermidade e garante a continuidade de suas histórias e desejos. Para essas mulheres, o sentido subjetivo da doença elucida a diferença desejada dentro do grupo das mulheres negras com doença falciforme e as coloca como protagonistas de suas histórias, contestando as estatísticas de sobrevida da doença, através da maternidade.