CORPOS NEGROS E CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE: O QUE ISSO TEM A VER COM A EDUCAÇÃO?
Estudos sobre o cabelo crespo e suas representações na sociedade brasileira adquirem visibilidade especialmente na relação entre: corpo, o consumo, a identidade e educação. Para Figueiredo (1994), <<o mercado da aparência ou o mundo da beleza é uma esfera que tem sido marcada pela construção de estereótipos negativos associados aos fenótipos negros>>, todavia, nas últimas décadas houve significativa ampliação de produtos e serviços voltados para o seguimento, possibilitando assim certa visibilidade. Neste momento se pretende demonstrar a partir da metodologia o estudo de caso as estratégias de marketing utilizadas pela rede de salões de beleza do Brasil, Instituto Beleza Natural, para vizibilizar a estética negra ao trazer o cabelo crespo e cacheado como eixo central de ação, notadamente interligada à ascensão social em seus empreendimentos inclusive no corpo de funcionárias. Para Vieira (2007), <<É preciso lembrar que há uma estética negra tão poderosa quanto a estética branca>>, e, partir disso, destacar/problematizar/apontar que impactos permeiam esse tipo de “resultado” (imaginário visual) na formação de identidade de crianças e adolescentes. Pretende-se compreender o sucesso deste empreendimento na transformação do cabelo crespo em cabelo cacheado para a conquista desta clientela majoritariamente feminina, negra, de todas as faixas etárias, em geral de baixa renda, que deseja manter a estética negra sem recorrer aos procedimentos que alteram radicalmente o formato dos fios crespos. Sucesso entre mães, avós, artistas e, deslumbramento, idealização, desejo em crianças e adolescentes que até então não tinham referenciais positivados de beleza negra a partir de produtos e de propagandas para o fio crespo. Com isso, problematizar o papel da educação das relações étnicos raciais a partir do diálogo entre corpo e identidade.