BLACK BLOCS, POR QUE BLACK?
Este trabalho analisa a contemporaneidade da violência nas manifestações sociais no Brasil, num recorte da atuação dos Black Blocs e a ação policial e da mídia nesses fluxos, especificamente no mês de junho 2013. Esses movimentos criam paradigmas teóricos que envolvem ideologia, cultura e vínculos entre grupos que buscam a construção da identidade coletiva. Os ataques a agencias de autosserviços bancários, lojas de eletroeletrônicos e de roupas de luxo, demonstram a insatisfação de trabalhadores, estudantes e desempregados com a situação político-econômica do país. No entanto, essas manifestações embora amparadas legalmente pela democracia, agregam atos de vandalismo e de repressão, sobretudo, quando policiais, usam a força para garantir seu papel constitucional de manter a ordem nas ruas enquanto a mídia veicula matérias carregadas de rótulos sociais criminalizando pessoas negras e pobres nesses movimentos. Neste sentido, observa-se que a representação da criminalidade e a cultura do medo são difundidas a partir do etiquetamento da classe econômica e da cor da pele, isto é, os manifestantes são discriminados por serem pobres e, ou negros, portanto os movimentos sociais significam dados de resistência e enfrentamento sociopolítico da sociedade. Em sua maioria ou totalidade esses grupos publicam em suas manifestações as defesas sociais que incluem a preservação da natureza, buscam soluções para os sem teto, ou sem terra, contra o desemprego e racismo, entre outras exigências. Defendem as diversidades étnicas e de orientação sexual, lutas de classe, aumento de condições salariais ou melhoria das condições de trabalho. Os movimentos ocorridos em todo Brasil no mês de junho de 2013, revelou um protagonismo de jovens principalmente, num fenômeno social que agrupou pessoas revoltadas com o aumento da tarifa do transporte urbano, mas, tornou visível nas manifestações outras ansiedades da população brasileira, que numa prática democrática, defendeu seus direitos explicitando conflitos sociais e políticos.