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O ataque de Callsobruchus maculatus a grãos armazenados de Vigna unguiculata acarreta na redução de seu peso, valor comercial, nutritivo e do vigor germinativo. Como alternativa à utilização de inseticidas, que tem impacto negativo na saúde e no meio ambiente, se faz necessário o estudo dos compostos naturais de defesa das plantas, principalmente compostos de sementes que apresentem toxicidade a insetos-praga como o C. maculatus. Algumas sementes não-hospedeiras, como as do genero Canavalia, têm se mostrado excelentes fontes de compostos bioinseticidas, incluindo as proteínas com afinidade a quitina. Neste contexto, o objetivo deste trabalho é elucidar o mecanismo de toxicidade das sementes de C. rosea e C. gladiata para C. maculatus. Os efeitos toxicos foram analisados através da infestação de sementes naturais e artificiais com o inseto e a avaliação da oviposição, eclosão larval, massa, comprimento e sobrevivência das larvas. Frações proteicas foram extraídas dos cotilédones das sementes e submetidas à cromatografia de afinidade à quitina. O perfil proteico foi analisado por SDS-PAGE. Análise proteômica comparativa dos cotilédones das sementes foi realizada através de espectrometria de massas. A análise morfológica do desenvolvimento embrionário do inseto foi realizada através da marcação dos embriões com DAPI. Nossos resultados mostram que sementes naturais de ambas as espécies afetaram negativamente a oviposição e bloquearam em 100% a eclosão larval, sendo 100% letais para as larvas. Sementes artificiais contendo 60mg de tegumentos artificiais de C. rosea reduziram a massa larval em 58%, mas não afetaram a penetração e a sobrevivência das larvas. Sementes artificiais contendo tegumentos artificiais de C. gladiata em diferentes epessuras afetaram em até 100% a sobrevivência das larvas. A incorporação de 10% de farinha de cotilédones de C. gladiata e C. rosea em sementes artificiais foi 100% letal para as larvas. Frações proteicas de C. rosea retidas em quitina, quando incorporadas na concentração de 1% em sementes artifciais, afetaram em 100% a eclosão larval e a sobrevivência das larvas. A análise proteômica comparativa identificou 304 proteínas, quando comparadas entre as espécies, 60 foram up reguladas e 49 down reguladas em C. gladiata; 10 proteínas foram identificadas unicamente em C. rosea e 8 em C. gladiata. Nossos resultados indicam que as sementes de C. rosea e C. gladiata são ricas em compostos com atividades bioinseticidas, incuindo proteinas com afinidade a quitina. A identificação de compostos naturais com propriedades bioinseticidas pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias mais sustentáveis de controle de pragas.
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