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Os papéis atribuídos às mulheres se transformaram a partir de 1960. Após décadas sem acesso ao trabalho formal, sem educação escolar e universitária, sem direito ao voto e exercício cidadão por conta de viverem em sociedades ocidentais de viés patriarcal e colonial, as mulheres iniciaram caminhos de luta feminista e sociais que trouxe como resultado o ingresso nas universidades e a disputa de espaço no mercado de trabalho com os homens. Além disso, o desenvolvimento de métodos anticoncepcionais seguros passou a lhes permitir escolher o momento mais oportuno para engravidar e decidir se desejavam ou não ter filhos. Diante dessas novas possibilidades de desenvolvimento pessoal e carreira profissional algumas mulheres passaram a optar por ter filhos mais tarde, depois dos 35 anos. Estas circunstâncias ressaltam como um planejamento reprodutivo bem orientado poderia interferir na qualidade de vida das mulheres. Com base nesse contexto, esta pesquisa possui como objetivo compreender se e como os papéis femininos interferem no adiamento da maternidade, sobretudo considerando mulheres de diferentes classes sociais, escolaridade, identidade de gênero e sexual e pertencimento étnico-racial distintos residentes no estado do Rio de Janeiro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e documental, a qual utiliza, por um lado, de revisão de literatura em bases de dados da área da Saúde, Psicologia, Psiquiatria e Ginecologia para realizar um levantamento de dados sobre os temas de papéis femininos e o adiamento da maternidade; por outro lado, usa a técnica da análise de discursos de Laurence Bardin para responder aos objetivos traçados por intermédio de entrevistas com questões abertas aplicadas com um universo amostral de 10 mulheres de diversas as classes sociais, pertencimento étnico-racial, de gênero e sexualidades, distribuídas entre aquelas que frequentaram ou não clínicas de reprodução assistida para poderem engravidar. A revisão de literatura contextualiza sobre os papéis atribuídos historicamente às mulheres com relação à maternidade e reprodução humana, aborda as políticas de planejamento reprodutivo, discute sobre a maternidade e seu adiamento ou não, assim como abarca a discussão sobre a influência da informação sobre a decisão de mulheres procurarem clínicas de reprodução assistida para realizarem o sonho de maternar. Atualmente, a pesquisa encontra-se em processo de avaliação pelo comitê de ética da instituição, e posteriormente sua aplicação pelo referido Comitê, a pesquisa seguirá para a aplicação das entrevistas com as mulheres do estado do Rio de Janeiro.
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