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Esta pesquisa pretende ser realizada na comunidade quilombola de Lagoa Fea, em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. Os quilombos representam uma categoria que é disputada e atravessada por tensões políticas, raciais, territoriais e identitárias. Atualmente a identidade quilombola é, acima de tudo, uma identidade política, que assegura direitos específicos para os quilombolas e suas comunidades (ARRUTI, 2008). Neste trabalho, pretende-se analisar a construção da identidade quilombola permeada pela sua experiência tanto local como virtual. Para isso, tem-se como objetivos sistematizar e analisar as postagens fixas e temporárias e interações com outros usuários no perfil do Instagram @quilombolagoafea; Observar as interações e relações sociais no território; e entender o papel dos principais intermediários do processo de virtualização, bem como as relações que estabelecem com quem interage com o perfil virtual da comunidade. Assim, pretende-se realizar uma investigação nas mídias sociais e no território da comunidade, de modo a conceber o local e o virtual nem como opostos e nem como sinônimos, mas como contínuos articulados e interdependentes, já que, contemporaneamente, as culturas são construídas a partir dos diferentes lugares, e também das diferentes relações entre o on e o offline (MISKOLCI, 2011). Hall (2000), aponta que o sujeito contemporâneo é fragmentado e composto por diferentes identidades e mesmo quando pensamos sobre as identidades coletivas estas não são homogêneas. Com o avanço da modernidade as identidades se tornam fragmentadas, e o processo de identificação “tornou-se mais provisório, variável e problemático.” (HALL, 2006, p. 12). Hall (2006) coloca que na pós-modernidade global é possível que aqueles que estão em territórios distintos ao redor do globo, mesmo daqueles países mais pobres, possam ser expostos às mesmas imagens, informações e conteúdos, principalmente como mecanismo de gerar consumidores dos mesmos bens. Este movimento tornou-se ainda mais intenso com o avanço da internet, que tem sido ainda mais eficaz em produzir tensões entre o global e o local, que repercutem na construção da identidade, a qual pretende-se investigar neste trabalho. Como metodologia compreende-se ferramentas da netnografia e da etnografia, que diante das suas semelhanças e diferenças, podem ser associadas para a compreensão de um mesmo objeto de pesquisa, uma vez que o online e off-line, como compreendido por Noveli (2010) são um "continuum”. A partir disso, são previstas pesquisas bibliográficas, análises dos conteúdos postados na plataforma e a sistematização das interações, bem como entrevistas semiestruturadas e visitas a campo.
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