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Este trabalho busca compreender o papel do planejamento urbano como um instrumento prático e discursivo no ocultamento dos espaços de sociabilidade negra durante o século XX e XXI. Como objetivo principal pretende-se analisar o processo de branqueamento do Centro de Campos dos Goytacazes a partir da leitura dos projetos de implementação e de revitalização do Mercado Municipal em dois períodos: 1880 - 1920 e 1980 - 2020. Na procura de identificar os projetos de implementação e de intervenção, analisar os discursos difundidos em jornais, periódicos e mapear os sujeitos e as instituições que participam e influenciam a ação política, o trabalho baseia-se metodologicamente no levantamento bibliográfico e documental nos acervos online dos jornais o Monitor Campista e Folha da Manhã, nos projetos de implementação disponíveis em acervos públicos, dissertações e teses. Pode-se assinalar, entre 1880 e 1920, que as quitandas, assim como as moradias e os Zungus, eram espaços de sociabilidade negra nas áreas urbanas em cidades brasileiras como Campos dos Goytacazes. Tais locais foram alvo dos projetos de modernização urbana que, sob um discurso de ordenamento e embelezamento das áreas centrais e inspirada no modelo parisiense haussmanniano, provocaram a segregação sócio e étnico espacial a fim atender os interesses das elites locais a terem na paisagem símbolos europeus. Entre 1980-2020, com a construção do espaço da Feira em anexo ao prédio do Mercado Municipal, observa-se a emergência da sugestão feita pela prefeitura, entidades comerciais e organizações civis de transferir a Feira sob a justificativa de revitalização do Centro e de preservação do valor arquitetônico do prédio do Mercado Municipal. Nos anos de 2002 e 2012, projetos de intervenção urbanísticas no prédio do Mercado Municipal são apresentados pela prefeitura de Campos e os representantes de organizações que reivindicavam no discurso a defesa ao patrimônio apresentaram uma atuação na legitimação da troca de endereço dos feirantes e permissionários a fim de serem substituídas por atividades consideradas turísticas. De forma preliminar, pode-se apontar que assim como a população negra foi excluída do projeto de modernização urbana no início do século XX, ela também é excluída como importante agente urbano no processo de patrimonialização feita pelo Estado e organizações sociais que defendem a memória e patrimônio em Campos, auxiliando a perpetuação da branquitude como valor universal e normativo e no branqueamento dos espaços de sociabilidade da população negra.
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