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O lobo-guará ocupa extensas áreas de vida (de 25 a 150 km2) que podem abranger regiões antrópicas, nas quais, frequentemente, filhotes órfãos ou desgarrados dos pais são resgatados e encaminhados a centros de triagem, onde permanecem até a destinação final para zoológicos ou criadores conservacionistas. O Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres, coordenado pelo do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio), prevê a elaboração de protocolo de reabilitação (ação de recuperar as condições sanitárias, físicas e comportamentais de um animal silvestre para que possa se desenvolver em seu habitat de forma independente e de acordo com as características biológicas de sua espécie) para canídeos resgatados. Sendo assim, o objetivo deste estudo é elaborar e testar um protocolo de manejo alimentar e nutricional para uma fêmea de lobo-guará em reabilitação (Sisbio nº 79552-1). A dieta foi elaborada por meio dos softwares Zootrition® e SuperCrac® considerando os parâmetros: taxa metabólica basal de 865kcal/dia; necessidade energética de manutenção de 1514 kcal/dia e peso médio de 25kg. As dietas mantiveram-se em torno de 3.80 kcal/g EM e 22-25% PB. O manejo foi dividido em três etapas. Na primeira, ração canina representou 35% da composição da dieta, frutos 55% e proteína de origem animal 10% (carnes e presas). Na segunda etapa, ração 20%, frutos 60% e proteína animal 20%. Na terceira etapa, frutos 70% e proteína animal 30%. O lobo-guará é uma espécie onívora e consome uma diversidade de itens de origem vegetal e animal. A fêmea em reabilitação recebeu e consumiu, além de frutos comerciais (abacate, abacaxi, atemoia, banana, goiaba, maça, mamão, manga, melancia, melão, morango), frutos das seguintes espécies nativas do Cerrado: araçá Psidium cattleianum, araticum Annona crassiflora, bacupari Garcinia gardneriana, cajuzinho-do-cerrado Anacardium humile, curriola Pouteria ramiflora, guabiroba Campomanesia xanthocarpa, jamelão Syzygium cumini, mangaba Hancornia speciosa, lobeira Solanum lycocarpum e seriguela Spondias purpúrea. A partir da segunda etapa, além da oferta de futos nativos, o animal passou a receber frutos com casca, inteiros ou em pedaços grandes, espalhados pelo recinto de reabilitação para estimular o forrageamento, bem como presas vivas (camundongos, codornas e preás, de acordo com as orientações da Comissão de Ética no Uso Animal da Universidade de Brasília). Após 10 meses, foi observado aumento da atividade de forragear, e do consumo de frutos nativos e da capacidade de abater presas vivas. Observações continuam a ser realizadas desde a soltura para validação do protocolo proposto.
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