Ingestão de microplásticos pelo corrupto Callichirus corruptus Hernáez, Miranda, Rio & Pinheiro, 2022 (Crustacea: Callichiridae) em praias arenosas

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Resumo

Praias arenosas acumulam plásticos e microplásticos (MPs; ≤ 5 mm) devido ao uso intenso e por serem ambientes de deposição. O Callichirus corruptus (Crustacea: Callichiridae), conhecido popularmente como corrupto, é um crustáceo que vive na zona entremarés das praias, promovendo bioturbação, incorporando e ressuspendendo poluentes da água e do sedimento. Este estudo busca determinar se os MPs no trato digestivo do corrupto refletem a poluição da água e do sedimento, nível de urbanização e distância das praias para rios no norte do Estado do Rio de Janeiro. Para isso, foram selecionados setores urbanizados (U) e pouco urbanizados (NU) das praias de Santa Clara (SCU e SCNU), Guaxindiba (GXU e GXNU) e Manguinhos-Buena (MGU-BUNU: coletas em andamento). Em cada setor, foram realizadas coletas de amostras de água e sedimento da região entremarés, além da captura de 10 indivíduos do corrupto em cada período de amostragem (verão e primavera). Em laboratório, o trato digestivo do corrupto foi retirado e digerido em solução concentrada de peróxido de hidrogênio. Os MPs presentes no sedimento foram recuperados por flutuação em solução hipersalina. Todas as soluções supracitadas e a água coletada nas praias foram filtradas em membrana de acetato de celulose com poros de 0,45 μm e inspecionados em estereomicroscópio. Os MPs retidos nos filtros foram quantificados, identificados e categorizados por cor e morfotipo (fibras, fragmentos rígidos ou flexíveis, isopor e grânulos). De 88 indivíduos coletados em SC e GX, aproximadamente 46% apresentaram MPs no trato digestivo, com 10 morfotipos diferentes. Entre os MPs encontrados, os fragmentos pretos foram os mais comuns, (54%), seguidos por filamentos transparentes (11%) e filamentos vermelhos (8%). Embora tenham sido observadas diferenças sutis (GXU= 5; GXNU= 5; SCU= 4; SCNU=5) na riqueza de morfotipos entre os setores urbanizados (GXU e SCU) e pouco urbanizados (GXNU e SCNU), a concentração de MPs foi duas vezes maior nos setores pouco urbanizados (GXNU: 25 MPs/100 g; SCNU: 8 MPs/100 g) em comparação aos setores urbanizados (GXU: 13 MPs/100 g; SCU: 4 MPs/100 g). A relação entre a concentração de MPs nos corruptos e na água foi positiva (R²= 0,4285). No entanto, a relação da concentração de MPs nos corruptos e no sedimento não foi linear, observou-se um aumento até 0,104 mp/g sedimento, mas a partir desse limiar a concentração nos espécimens diminuiu. Em conclusão, a hipótese de que os corruptos ingerem mais MPs em praias urbanas não foi confirmada, mas a relação entre ingestão de MPs e a poluição da água sugere que eles possam ser usados como potenciais biomonitores da biodisponibilidade desses materiais nas praias.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
Eixo Temático
  • 1.1 UENF - Ciências Biológicas (CBB): 1. Ciências Ambientais
Palavras-chave
microplástico; corrupto; praias arenosas