Infâncias campistas e o acesso à saúde

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Iniciação Científica-Oral
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Resumo

Este trabalho é um recorte da pesquisa “Infâncias campistas: proteção e participação das crianças pequenas”, vinculada ao Núcleo de Pesquisas sobre Infâncias, Juventudes e Políticas Públicas (NIJUP/UFF). A pesquisa tem como um de seus objetivos subsidiar a elaboração do Plano Municipal pela Primeira Infância, por meio do diagnóstico social da primeira infância em Campos dos Goytacazes. Assim, neste trabalho, abordaremos as questões referentes ao acesso à saúde por parte das crianças de 0 a 6 anos de idade. A metodologia consistiu na realização de uma pesquisa quanti-qualitativa, estudos bibliográficos, pesquisas documentais e pesquisa de campo. Nas pesquisas bibliográficas foram consultados o Plano Nacional pela Primeira Infância e autores que abordam a questão da saúde voltada para a infância. Na pesquisa documental foram utilizados os dados contidos no Plano Municipal de Saúde, no Plano Municipal de Assistência Social e nos documentos disponibilizados por representantes da Secretaria de Saúde. A pesquisa de campo consistiu-se na escuta de 165 crianças, na faixa etária de 4 a 6 anos de idade, realizada através de idas a treze escolas de acordo com o território de abrangência dos Centros de Referência de Assistência Social. Além disso, foram visitados um acolhimento institucional de crianças e adolescentes, duas Organizações da Sociedade Civi (OSC), um acampamento dos trabalhadores sem-terra e uma comunidade quilombola. Por meio da pesquisa foi possível constatar o fechamento de muitos postos de saúde entre 2019 e 2021, alguns destes em decorrência da realocação dos profissionais que atuavam nessas unidades para a linha de frente de combate ao coronavírus. Além disso, foram identificadas fragilidades no que tange ao cuidado da saúde das crianças, como por exemplo a concentração dos equipamentos de saúde predominantemente na área central da cidade. A cobertura vacinal também apareceu como um problema, não só no que se refere ao acesso, mas também decorrente do movimento antivacina. Nas escolas e em uma OSC, as falas de diretoras e responsáveis apontaram para a falta de laudos médicos e as dificuldades em conseguir consultas com especialistas. Situação que expressa a falta destes profissionais na rede, constatada nos documentos oficiais consultados. A precariedade do transporte também foi um dificultador do acesso à saúde. Assim, os dados indicam que o acesso à saúde por parte das crianças pequenas tem sido limitado, agravado nos casos dos moradores das áreas mais periféricas, implicando na não garantia efetiva deste direito. Com isso é necessário que haja mais investimentos direcionados para a manutenção da saúde da primeira infância no município.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal Fluminense
Eixo Temático
  • 3.6 UFF - Ciências Sociais Aplicadas
Palavras-chave
Infância; Saúde; acesso