Implementação e evolução de sistema agroflorestal com espécies alimentícias, medicinais e aromáticas no bioma Mata Atlântica, na Região Hidrográfica IX do estado do Rio de Janeiro

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Resumo

Diante do contexto da emergência climática e do aumento da frequência com eventos hidrológicos extremos, buscam-se medidas mitigadoras, tanto na escala global, quanto na regional. Comuns na Região Hidrográfica IX do estado do Rio de Janeiro, o desmatamento e a queima de vegetação intensificam o problema, e como estratégia de mitigação demonstrativa, foram implementadas soluções baseadas na natureza (SbN) no entorno da Reserva Particular de Patrimônio Natural – RPPN Águas Claras I, situada na região da Cachoeira da Amorosa, em Conceição de Macabu/RJ, no bioma Mata Atlântica. A RPPN busca promover a continuidade da provisão dos serviços ecossistêmicos e a sustentabilidade na microbacia do rio Carukango, integrando o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 à práticas permaculturais, como o sistema agroflorestal – SAF. O SAF é um sistema agrícola que utiliza espécies herbáceas, arbustivas, arbóreas ou lenhosas numa mesma área, propiciando interações ecológicas e econômicas entre os seus diferentes componentes. Neste trabalho objetiva-se descrever a implantação e a evolução do SAF medicinal e aromático implementado no entorno da RPPN. O método utilizado para a concepção do SAF foi o plantio das espécies por linha, sendo definidas 13 linhas, contendo 55 espécies, selecionadas em função do objetivo do sistema (produção de óleos essenciais e regeneração do solo atingido por um incêndio). Para tanto, foram escolhidas plantas alimentícias, ervas medicinais e aromáticas, após um levantamento das características do solo e do tipo de espécies adaptadas ao bioma. Foi elaborado um croqui representando a distribuição das mudas pelas 13 linhas. A partir desse croqui, foi possível seguir para a implementação do projeto. Entre as espécies plantadas destacam-se as aromáticas, como o alecrim (Salvia rosmarinus), as medicinais, como a artemísia (Artemisia Vulgaris) e as alimentícias, como a bananeira (Musa paradisiaca) e a batata-doce (Ipomoea batatas), que se espalhou por todo o sistema, provendo a cobertura de solo necessária a retenção de umidade. Aproximadamente 5 meses após a implementação do SAF, foi realizado o manejo agroflorestal e o levantamento das espécies que se desenvolveram, evidenciando-se um grau de sobrevivência entre 70% e 80%. Algumas espécies foram atacadas por formigas, como o margaridão (Tithonia diversifolia), que mostrou resiliência ao rebrotar. O eucalipto (Corymbia citriodora) e o guandu (Cajanus cajan) não foram encontrados em nenhuma das linhas em que haviam sido plantados, provavelmente devido à estiagem ocorrida na região no período de desenvolvimento das mudas.

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Instituições
  • 1 Instituto Federal Fluminense
Eixo Temático
  • 2.3 IFF - Engenharias
Palavras-chave
Agricultura sintrópica; recomposição florestal; bacia do rio Macabu