Para que um número reduzido de pessoas enriqueça e o modelo de produção agrícola capitalista prospere, a saúde da terra tem sido abdicada. Nesse contexto, os bancos de sementes se colocam como alternativa primordial ao garantir que famílias se sustentem através da agricultura familiar.
Visando a guarda e a multiplicação de sementes crioulas, passadas como herança, muitas vezes, na própria família, o banco de sementes rompe com o modelo capitalista de produção e comercialização de sementes. Essas sementes se diferenciam das demais, compradas nos grandes centros comerciais, pela capacidade adaptação na terra e frente às mudanças climáticas. Além disso, não sendo fruto de modificações químicas em laboratório, estas são benéficas tanto para a saúde da terra quanto da comunidade que se firma no território de plantio e a consomem.
O Núcleo de Estudos Rurais da UFF/Campos tem trabalhado, desde 2019, a implantação de bancos de sementes no acampamento Cícero Guedes através de trabalho de campo e da realização de oficinas, atuando junto dos agricultores e agricultoras ao trazer as estratégias de manejo necessárias para que o banco seja criado junto à comunidade. A metodologia utilizada envolve pesquisa e análise bibliográfica para aplicação prática. Atualmente temos trabalhado no acampamento Cícero Guedes utilizando a cartilha produzida pelo grupo. Nela se encontram métodos e ferramentas para a criação e organização do banco de sementes, relatos de outras experiências, os objetivos e sínteses do que são sementes crioulas, sementes transgênicas e banco de sementes.
Para nós, os associativismos em torno da guarda e da multiplicação de sementes constroem laços entre as famílias da comunidade e auxiliam na autonomia e independência das famílias frente ao modelo de produção e comercialização agrícola vigente que exclui e prejudica a saúde e a sobrevivência dos seres vivos na terra.